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Brasil e Moçambique reforçam cooperação para apoiar pequenos negócios

Representantes de órgãos moçambicanos estão nesta semana em solo brasileiro para troca de experiências em relação ao empreendedorismo
Por André Gomes
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Dar continuidade à parceria entre Brasil e Moçambique no fortalecimento dos pequenos negócios e no estímulo ao empreendedorismo nos dois países. Com esse objetivo, uma comitiva do país africano esteve na sede do Sebrae, em Brasília, nesta segunda-feira (2). A iniciativa é resultado de uma declaração conjunta entre a instituição, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) – entidade local focada em apoiar o desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas – para reforçar ações integradas de capacitação, cooperação, troca de experiências em políticas públicas e modernização do ambiente de negócios.

Durante a abertura do evento, o presidente do Sebrae, Décio Lima, deu boas-vindas aos representantes moçambicanos e ressaltou o compromisso das instituições com uma cooperação técnica estruturada, orientada a resultados e alinhada às prioridades de desenvolvimento dos dois países.

“Esse é um encontro muito importante porque não é somente para a construção de acordos e compromissos. Estamos construindo esse momento com segurança e responsabilidade. Além disso, este é um desdobramento direto da Declaração Conjunta assinada em Maputo por ocasião da visita do presidente Lula à Moçambique. Não são somente protocolos, mas queremos na prática induzir o desenvolvimento”, destacou Décio Lima.

Décio Lima (centro) e Féliz Pedro Malate (direita) reforçaram a cooperação entre as instituições | Foto: Maicon Felipe

“Somos territórios de seres humanos que são resilientes. Somos povos fortes que nunca desistem. O pequeno empreendedor pode hoje ser um grande industrial no seu próprio ambiente e impulsionar o crescimento local, como temos visto aqui no Brasil. Isso é importante também para induzir economias específicas em Moçambique”, completou o presidente do Sebrae.

A missão moçambicana é liderada pelo Diretor Geral do IPEME, Féliz Pedro Malate, e segue no Brasil até a próxima sexta-feira (6). Programas e ações como Cidade Empreendedora; planejamento, gestão e inteligência em serviços; encadeamento Produtivo e atendimento ao produtor rural; gestão de recursos do Sistema Sebrae; implementação da Lei Geral de Apoio aos Pequenos Negócios; projeto Pró-Catadores; Sebrae Delas; e formalização de Empresas estão na pauta das discussões dos próximos dias.

A nossa expectativa é muito grande. Moçambique precisa de amigos e de parceiros como o Brasil na troca de experiências e boas práticas. Olhamos as pequenas e médias empresas como o motor fundamental da economia moçambicana, especialmente para a economia familiar. O nosso objetivo é levar energias positivas para podermos implementar projetos concretos e filosofias de como atuar no nosso setor.

Féliz Pedro Malate, Diretor Geral do IPEME

Durante o encontro também foram discutidas atividades bilaterais para avançar no planejamento do Fórum das Instituições de Pequenos Negócios e Empreendedorismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), previsto para acontecer em Maputo, em data ainda a ser definida.

Foto:Maicon Felipe

Saiba mais

Em 2008, o IPEME foi criado com a contribuição do Sebrae. Desde então foram realizadas ações de cooperação, inclusive na revisão do Estatuto das Micro e Pequenas e Médias Empresas de Moçambique em 2022, inspirado na Lei Geral brasileira.

O país africano tem um enorme potencial agrícola, com cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, um clima favorável e abundância de água, mas com menos de 15% cultivados. Um dos desafios encontrados por parte dos pequenos agricultores é a baixa produtividade, a falta de acesso a crédito, de tecnologia e de infraestrutura. Mais de 70% da população depende desse setor.

O comércio bilateral entre Brasil e Moçambique movimentou US$ 40,5 milhões em 2024 – sendo que as exportações brasileiras para o país totalizaram US$ 37,8 milhões. Os produtos mais exportados foram: carnes de aves frescas, congeladas ou resfriadas (41%), produtos de perfumaria ou toucados (4,7%) e móveis (5%).

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