Entre páginas impressas, estantes renovadas e novas histórias sendo descobertas, o mercado editorial brasileiro vive um momento de celebração. Depois de anos de desafios, 2025 consolidou uma retomada traduzida em números e que se reflete no aumento das vendas de livros, no fortalecimento das livrarias e até no crescimento de novos empreendimentos dedicados à leitura.
Dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) mostram que as editoras registraram alta nominal de 7,7% nas vendas ao mercado, com crescimento real de 3,3% e expansão de 6,5% no volume de exemplares comercializados. Ao todo, foram vendidos mais de 185 milhões de livros no país no ano passado. O cenário positivo também se reflete entre os pequenos negócios.
Segundo o Sebrae, a partir da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), o número de novos empreendimentos registrados na atividade 47.61-0 (que abrange o comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria) saltou de 9.723, em 2024, para 11.185 no ano passado, um crescimento superior a 15%. Para 2026, a tendência segue em alta com 6.656 novos empreendimentos registrados até junho, contra 5.741 no mesmo período de 2025, como pode ser acessado no painel de abertura de empresas no DataSebrae.
“Cada nova livraria que abre as portas representa mais do que um negócio. É um espaço de encontro, de circulação de ideias e de fortalecimento da cultura e da economia criativa. Os números mostram que o livro continua relevante na vida dos brasileiros e que existe um ambiente favorável para quem deseja empreender nesse segmento”, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.

Os protagonistas desse novo capítulo
Em Brasília (DF), a proprietária da Livraria Porão Livro e Café, Luana Pessoa, vê o movimento acontecer de perto, entre leitores que chegam em busca não apenas de um título, mas de uma experiência. “Recebemos essa notícia com muito entusiasmo. Para quem trabalha diariamente com livros e leitores, é animador perceber que a leitura continua despertando o interesse de cada vez mais pessoas. No dia a dia, observamos que muitos leitores não buscam apenas um livro, mas também experiências, conversas e espaços de troca”, afirma.
A percepção de Luana dialoga com os dados do setor. A pesquisa da CBL aponta que todos os segmentos editoriais cresceram em 2025, com destaque para as obras gerais, que registraram o melhor desempenho do mercado. As livrarias também ampliaram sua participação no faturamento das editoras, reforçando a importância desses espaços como pontos de encontro entre leitores, autores e histórias.
Para a livreira, no entanto, o desafio vai além dos indicadores econômicos. “O aumento de leitores é uma notícia muito positiva para todo o setor do livro. Mas é importante transformar esse interesse em um hábito duradouro. Livrarias, bibliotecas e escolas têm papel fundamental ao aproximar as pessoas dos livros e incentivar a leitura de forma contínua”, destaca.

Em meio ao crescimento do mercado, a literatura especializada também conquista espaço ao conectar leitores a histórias que refletem identidades, memórias e diferentes formas de enxergar o mundo. Fundada em 2013, a Livraria Africanidades nasceu com a missão de ampliar o acesso a narrativas pretas, com destaque para obras de autoras negras.
Mesmo antes da retomada observada nos indicadores do setor, o negócio já contava com uma comunidade fiel de leitores. “Nosso público-alvo sempre esteve conosco e, desde a criação da livraria, não houve diminuição das vendas. Nossos clientes se enxergam nas histórias que levam pra casa”, celebra Ketty Valencio, proprietária da Africanidades.

