Quase um em cada cinco domicílios brasileiros é ocupado por apenas uma pessoa. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) de 2025, do IBGE, os domicílios unipessoais já representam 19,7% das residências do país, o equivalente a 15,6 milhões de lares e, segundo o IBGE (2023), há 81 milhões de solteiros no Brasil, frente a 63 milhões de casados. Celebrado em 15 de agosto, o Dia do Solteiro ressalta uma mudança nos hábitos de consumo, com oportunidades para pequenos negócios em diferentes setores da economia.
Segundo o analista de Competitividade do Sebrae, Flávio Petry, para atender a esse público, empreendedores têm investido em produtos e serviços voltados para praticidade, personalização e conveniência. Alimentos em porções individuais, móveis para apartamentos compactos, eletrodomésticos menores e serviços sob demanda estão entre os segmentos que acompanham essa tendência.
“Esses consumidores tendem a valorizar embalagens menores, compras mais frequentes, soluções prontas para uso, entregas rápidas e serviços que economizem tempo”, afirma.

Um consumidor com novas necessidades
Foi pensando na praticidade que a administradora Dri Fontenele, do Empório Insulano, no Rio de Janeiro, decidiu empreender após perder o emprego durante a pandemia. Apaixonada por cozinhar para familiares e amigos, ela enxergou uma oportunidade em oferecer refeições congeladas, inicialmente voltadas para idosos que precisavam permanecer em casa. Hoje, a maior parte da clientela é formada por mulheres entre 35 e 70 anos que vivem sozinhas.
“As porções individuais são muito bem-aceitas. Os idosos e muitas mulheres costumam consumir quantidades menores, então esse formato atende muito bem esse público”, conta. O diferencial, segundo ela, está na comida com sabor caseiro. “Muitos me falam: ‘sua carne assada lembra a da minha mãe’. Costumo dizer que vender é fácil, difícil é manter o cliente. E nossos clientes voltam”.
O sabor de comidinha caseira também norteia o negócio de Fernanda Cassullo Amparo. Ela fundou com sua mãe, em 2016, a Naturale Marmitaria Alimentação Saudável, em São Paulo, após perceber a demanda por refeições individuais saudáveis no hospital em que trabalhava. “Muitos residentes e estudantes vêm pra São Paulo estudar e acabam morando sozinhos ou em república”.

Inovação para espaços compactos
Embora o setor de alimentação seja um dos maiores destaques, Petry afirma que as oportunidades se espalham por diversos mercados. “No setor de habitação e decoração, cresce a procura por imóveis compactos, móveis multifuncionais e soluções de organização para pequenos espaços”, diz.
A arquiteta Luiza Sued, fundadora da Sued Arq, concorda com a análise. Segundo ela, este movimento está criando um perfil de cliente que valoriza praticidade, funcionalidade e o melhor aproveitamento dos espaços. “Percebo hoje em dia um cliente mais informado, que busca ambientes versáteis, organizados e personalizados. Nesse contexto, o meu papel como arquiteta é desenvolver soluções que unam funcionalidade, conforto e identidade, independentemente da metragem do imóvel”.
Segundo Luiza, o desafio dos ambientes pequenos é tornar o espaço multifuncional. “Uma escrivaninha pode ser dobrável a partir de um módulo de marcenaria. Assim como servir para uma mesa de refeição. Outro recurso bastante utilizado são os painéis giratórios para TV, que permitem atender dois ambientes com a mesma televisão. Um móvel bem-planejado pode otimizar o armazenamento, melhorar a circulação e tornar o dia a dia muito mais prático”, revela a arquiteta.

