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Melhor ambiente de negócios impulsiona empreendedorismo e inclusão social, diz Rodrigo Soares

Presidente do Sebrae destaca a importância de apoiar os donos de micro e pequenas empresas, contribuindo para a redução das desigualdades e o fortalecimento da economia
Por Redação
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Compras públicas, inovação, sustentabilidade, crédito, educação empreendedora, exportações. O Sebrae vem atuando em todo o Brasil, em diversas frentes de trabalho, para apoiar o crescimento e fortalecimento do empreendedorismo no país. Responsáveis por sete em cada 10 empregos gerados em 2025, as micro e pequenas empresas são apontadas pelo presidente da instituição, Rodrigo Soares, como um dos principais instrumentos de inclusão social.

Em entrevista à Agência Sebrae de Notícias, Rodrigo fala sobre como o Sebrae tem contribuído para a melhoria do ambiente de negócios e destaca a força do empreendedor brasileiro que, em 20 anos de vigência da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, levou o país a superar a marca de 26 milhões de negócios ativos.

Pergunta: Qual é a sua história com o Sebrae e como a instituição apoia os pequenos negócios brasileiros?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Estou no Sebrae desde abril de 2023, quando fui convidado para integrar a atual gestão. Desde então, atuamos diretamente no gabinete da presidência, acompanhando as 21 gerências nacionais e todas as frentes de atuação da instituição.

O Sebrae trabalha essencialmente para apoiar as micro e pequenas empresas brasileiras, seja na melhoria do ambiente de negócios, seja na gestão financeira dos empreendimentos. Nós costumamos dizer que muitas pessoas nascem com talento — para gastronomia, música, comunicação, advocacia, contabilidade — mas nem sempre sabem gerir um negócio.

É muito comum, por exemplo, o empreendedor misturar o recurso pessoal com o recurso da empresa logo no início da atividade. Isso gera uma série de dificuldades. O Sebrae entra justamente para ajudar nessa organização, permitindo que o empreendedor cuide do talento e da atividade-fim, enquanto recebe apoio do Sebrae para estruturar a gestão do negócio.

Nos últimos três anos, viajamos pelos 27 estados brasileiros, acompanhando de perto a realidade dos pequenos empreendedores e aprendendo muito com eles.

Rodrigo Soares em visita a um pequeno negócio em Goiânia (GO) | Foto: Divulgação

Pergunta: Como o senhor avalia o papel do Sebrae no fortalecimento do ambiente de negócios no Brasil?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Eu costumo fazer uma analogia: o Ministério da Economia atua na organização macroeconômica do país; enquanto o Sebrae atua no território local, onde a economia real acontece.

É nos municípios que o empreendedor enfrenta os desafios concretos do dia a dia. Por isso, o Sebrae trabalha fortemente na simplificação, na desburocratização e no fortalecimento do ambiente de negócios.
Temos uma atuação muito forte junto às prefeituras, por meio das Salas do Empreendedor, qualificando servidores e criando condições mais favoráveis para quem quer empreender.

A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, criada há 20 anos, foi decisiva nesse processo. Na época, o Brasil tinha cerca de 2,6 milhões de micro e pequenas empresas e MEIs. Hoje, são mais de 26 milhões. É uma transformação enorme na economia brasileira, graças a essa simplificação, respeitando o tratamento diferenciado para os pequenos negócios estabelecido na Constituição.

Pergunta: O acesso às compras públicas também aparece como uma frente importante do Sebrae. Como isso funciona?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Esse é um eixo estratégico para nós. O mercado de compras públicas no Brasil movimenta cerca de R$ 1,3 trilhão por ano. É uma oportunidade gigantesca para os pequenos negócios.

Em 2023, as micro e pequenas empresas movimentaram cerca de R$ 40 bilhões nesse mercado com apoio do Sebrae. Em 2024, esse número chegou a R$ 60 bilhões. Em 2025, alcançamos R$ 106 bilhões.

Lançamos recentemente a plataforma Contrata Mais Brasil, que simplifica o acesso dos pequenos negócios às compras públicas. A ideia é permitir contratações mais rápidas e acessíveis para serviços e pequenos fornecimentos, conectando diretamente órgãos públicos e empreendedores. Isso fortalece a economia local, porque o recurso permanece circulando no próprio território.

Natália Ofão, que expõe produtos de sua marca, Cuidados do Cerrado, e o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares | Foto: Divulgação

Pergunta: Como o senhor avalia o momento atual do empreendedorismo no Brasil?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae
: Quando a economia cresce, o empreendedorismo cresce junto. Hoje temos inflação relativamente controlada, aumento da renda e baixo desemprego. Isso cria um ambiente mais favorável para empreender. Temos recursos circulando, as pessoas com renda, um mercado de consumo aquecido e consequentemente, mais pessoas querendo transformar o sonho de empreender em realidade.

Em 2025, foram abertos 5,1 milhões de CNPJs no Brasil. Destes, 4,9 milhões são pequenos negócios. Hoje, esse segmento representa cerca de 95% dos CNPJs do país.

Eles também respondem por algo entre 27% e 29% do PIB brasileiro e pela maior parte dos empregos gerados. Em 2026, até abril, já foram abertos 2 milhões de pequenos negócios. Nesse ritmo, vamos bater o resultado do ano passado. No âmbito do emprego, mais de 55% dos empregos criados este ano vieram dos pequenos negócios. Ano passado, o setor respondeu por 80% das vagas de emprego.

Além do empreendedorismo por necessidade, cresce também o empreendedorismo por oportunidade. Muitas pessoas já possuem alguma estabilidade financeira e resolvem empreender para realizar sonhos, melhorar a qualidade de vida ou transformar talentos em negócio.

Estamos também atuando junto ao MDS e 4,6 milhões de empreendedores do CadÚnico se beneficiarão de ação entre Sebrae e o Ministério de Desenvolvimento Social. 57% desses 4,6 milhões de microempreendedores individuais (aproximadamente 2,6 milhões) decidiram abrir o CNPJ depois de aderir ao registro que garante acesso aos programas sociais. O público do Cadastro Único ocupou 81,2% dos empregos gerados no primeiro bimestre de 2026. A população de mais baixa renda ocupou mais de 300 mil vagas formais do saldo do Caged.

Pergunta: O crédito ainda é um desafio para pequenos empreendedores?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Sem dúvida. Ainda hoje, cerca de 72% dos pequenos empreendedores brasileiros têm dificuldade de acessar financiamento. Muitos empreendedores não conseguem acessar crédito porque não possuem garantias. Muitas vezes já colocaram o carro, a casa ou os recursos da família no próprio negócio.

Por isso o Sebrae ampliou fortemente o Fundo de Aval para Micro e Pequenas Empresas, o Fampe, dentro do programa Acredita Sebrae. Até 2023, trabalhávamos com cerca de R$ 1 bilhão em garantias por ano. Hoje já chegamos a R$ 14 bilhões, e nossa meta é alcançar R$ 30 bilhões até o fim deste ano.

O Sebrae pode garantir até 80% da operação de crédito. Para mulheres empreendedoras, chegamos a oferecer garantia de 100%, justamente para ajudar a reduzir desigualdades no acesso ao crédito.

Pergunta: O Sebrae também tem investido bastante em inovação e bioeconomia. Quais as principais ações nessas áreas?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: A inovação é uma das nossas prioridades. Vivemos uma transformação tecnológica acelerada, com inteligência artificial e digitalização impactando todos os setores. Por isso, o Sebrae vem investindo fortemente nos programas Inova Biomas, como o Inova Amazônia, Inova Cerrado, Inova Pantanal e Inova Caatinga.

No Inova Amazônia, por exemplo, já aceleramos mais de 400 empresas e apoiamos centenas de novos negócios ligados à bioeconomia, ao extrativismo sustentável, aos cosméticos, à alimentação, aos produtos florestais e às soluções sustentáveis. No Inova Cerrado e no Inova Pantanal foram 330 empresas com ideias apoiadas. Acreditamos muito na criatividade do povo brasileiro e no potencial econômico dos nossos biomas.

Comitiva do Sebrae na Hannover Messe 2026 | Foto: Andrea Serkeff

Pergunta: Como o Sebrae trabalha a internacionalização dos pequenos negócios?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Temos uma parceria muito forte com a Apex por meio do programa PEIEX, que qualifica pequenas empresas para exportação. Hoje, quatro em cada dez empresas exportadoras brasileiras são pequenos negócios.

Recentemente participamos da Feira Mundial da Indústria em Hannover, na Alemanha, levando quase 200 startups e pequenas empresas brasileiras para apresentar soluções tecnológicas e industriais a novos mercados.

Também estamos trabalhando fortemente nas oportunidades geradas pelo acordo Mercosul-União Europeia, especialmente para produtos como café, mel, cachaça, queijos, moda e máquinas industriais. Esse é um mercado que reúne cerca de 720 milhões de consumidores e representa um PIB de cerca de US$ 22 trilhões.

Importante destacar também que há perspectivas para pequenos negócios que não exportam diretamente, pois muitas grandes empresas que já exportam para o mercado europeu possuem pequenos negócios em suas cadeias de valor. Essas conexões apresentam muitos benefícios, pois os pequenos negócios entram na cadeia de exportação de forma indireta.

Como é o caso da cadeia da parceria do Sebrae e a Aurora Alimentos, que desenvolve um trabalho conjunto para fortalecer a suinocultura em diversos estados do Brasil. Por meio do convênio de encadeamento produtivo, a parceria oferece capacitação, consultorias técnicas e Dias de Campo que preparam os produtores para atender às exigências da indústria, melhorar o desempenho nas propriedades, reduzir a mortalidade animal e ampliar práticas sustentáveis.

O programa Conexões Corporativas do Sebrae já colocou em prática mais de 100 iniciativas, beneficiando pequenas empresas de mais de 20 estados. Todos os projetos buscam o fortalecimento dos pequenos negócios nas cadeias de valor, promovendo maior inserção competitiva, inovação e sustentabilidade.*

Pergunta: O empreendedorismo se tornou o segundo maior sonho do brasileiro, segundo o GEM. Como transformar esse sonho em negócios sustentáveis?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Esse dado é muito simbólico. O empreendedorismo hoje só perde para a casa própria como sonho do brasileiro. O Sebrae trabalha justamente para transformar esse sonho em realidade sustentável. Quando alguém abre um CNPJ, por exemplo, já oferecemos atendimento direto, cursos, consultorias e orientação de gestão.

Em 2025, realizamos cerca de 65 milhões de atendimentos no país e disponibilizamos quase 5 mil cursos online. Também atuamos fortemente para aumentar a sobrevivência dos pequenos negócios. Hoje conseguimos ampliar em cerca de 30% o tempo médio de permanência dessas empresas no mercado. Nosso objetivo é ajudar o empreendedor não apenas a abrir uma empresa, mas fazê-la crescer e prosperar.

Rodrigo Soares com os ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e das Cidades, Vladimir Lima | Foto: Divulgação

Pergunta: A digitalização ainda é um desafio para muitos pequenos negócios. O que o Sebrae tem feito nessa área?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: A pandemia acelerou definitivamente a digitalização. Isso não tem volta. Hoje o Sebrae atua fortemente na qualificação digital dos pequenos negócios, com cursos de inteligência artificial, comércio eletrônico e gestão digital.

Temos parcerias com os principais marketplaces do país e ajudamos empreendedores a inserir seus produtos nas plataformas digitais. O pequeno negócio que não entra no mundo digital acaba ficando para trás. Por isso, essa agenda é permanente dentro do Sebrae.

Pergunta: O empreendedorismo deve ganhar espaço no debate eleitoral de 2026. Quais são as principais agendas que o país precisa priorizar?
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae: Eu acredito que existem dois pilares fundamentais: educação e industrialização. O Brasil precisa continuar investindo fortemente na nova indústria brasileira, na inovação e na geração de valor agregado. O Sebrae já inseriu mais de 40 mil de pequenas empresas na plataforma da Nova Indústria Brasil.

Ao mesmo tempo, precisamos fortalecer a educação empreendedora. Temos parcerias com universidades, institutos federais e com o MEC. No ano passado, alcançamos cerca de 9,3 milhões de estudantes com ações de educação empreendedora.

Também estamos desenvolvendo iniciativas como o “Pé do Futuro”, para ajudar jovens a planejar financeiramente seus projetos de vida e seus futuros negócios. Quem quiser discutir o futuro do Brasil terá necessariamente de falar sobre educação, inovação, industrialização e inclusão produtiva. E nós estamos nesta pauta.

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