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“Criatividade é o petróleo do século 21”, diz Gil Giardelli no Esquenta Semana do MEI

Especialista em inovação e economia digital participou de live do Sebrae e avaliou que aprendizado contínuo e relações humanas devem ganhar ainda mais importância na era da IA
Por Nara Neri
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Durante muito tempo, inovação parecia assunto restrito a startups bilionárias, empresas do Vale do Silício e laboratórios cheios de telas futuristas. Agora ela cabe no bolso. Está no celular do microempreendedor que grava vídeos sozinho, automatiza atendimento, usa inteligência artificial para organizar tarefas e consegue alcançar clientes sem depender de grandes estruturas. A terceira live do Esquenta Semana do MEI, promovido pelo Sebrae, debateu exatamente essa mudança de cenário.

Para Gil Giardelli, especialista em inovação, economia digital e estudos do futuro, os pequenos empreendedores nunca tiveram tanto poder nas mãos — desde que estejam dispostos a estudar, experimentar e acompanhar as transformações do mercado. “Criatividade é o petróleo do século 21”, resumiu.

Esquenta da Semana do MEI promoveu conversas com especialistas e empreendedores sobre gestão e tendências de mercado

O especialista acredita que a inteligência artificial deve funcionar como ferramenta de liberdade, produtividade e expansão criativa. Na visão dele, a principal riqueza do empreendedor contemporâneo é o tempo.

“Se a IA consegue escrever um orçamento, organizar uma apresentação ou ajudar num projeto, ela devolve tempo para pensar melhor, criar melhor e viver melhor”

Gil Giardelli, especialista em inovação

Ao falar sobre presença digital, Gil defendeu que a lógica dos negócios mudou completamente nos últimos anos. Hoje, um celular consegue fazer as vezes de loja, canal de vendas, plataforma de marketing e vitrine ao mesmo tempo. “Você pode ter o melhor produto do mundo, mas se ele não for ‘achável’ nas mídias sociais, ninguém vai te conhecer. A sua loja fica aberta 24 horas por dia, 365 dias por ano”, disse.

Aprender o tempo todo

A defesa de aprendizado foi o pilar central da conversa. Para Gil, o empreendedor do século 21 precisa desenvolver a capacidade de desaprender modelos antigos e continuar estudando constantemente. “O mais importante agora é desaprender modelos que não cabem mais”, afirmou. Na avaliação dele, criatividade, colaboração e capacidade de conexão devem ganhar ainda mais valor justamente porque são habilidades profundamente humanas. “A educação é à prova de robôs.”

Adriane Borsatto, fundadora da Nascer Maker

A trajetória da empreendedora Adriane Borsatto ajuda a traduzir essa transformação na prática. Engenheira de alimentos de formação, ela mudou completamente de área depois da maternidade e criou a Nascer Maker, empresa voltada para ensino de robótica e programação para crianças em escolas de Florianópolis.

O detalhe é que Adriane começou praticamente do zero. “Eu não tinha conhecimento do modelo educacional e nem experiência como professora. Tive que aprender a ensinar e aprender programação também”, contou.

“Foi um aprendizado diário, muito prático. A inovação não aconteceu de uma vez. Foi acontecendo conforme eu aprendia”

Adriane Borsatto, empreendedora

O aprendizado contínuo acabou virando parte da própria empresa. Hoje, ela trabalha com crianças que desenvolvem robôs, aprendem programação e criam projetos próprios nas escolas. “Meus alunos estão na tecnologia todos os dias, então eles são muito inteligentes. A gente também precisa aprimorar as aulas conforme o conhecimento deles”, afirmou. Segundo Adriane, a inteligência artificial também já faz parte da rotina da empresa justamente pela capacidade de economizar tempo. “A IA ajuda muito porque me poupa tempo.”

Mudanças x equilíbrio

“Inovação é conhecimento. É trazer novas formas de gerir o negócio, de vender, de atender e de se conectar com outras pessoas”, diz Natália Carnever

Defensor da atualização constante, Gil Giardelli também alerta para a ansiedade gerada pela velocidade das mudanças tecnológicas. Questionado sobre como inovar sem transformar a rotina do empreendedor em uma corrida exaustiva atrás de tendências, ele defendeu equilíbrio e serenidade diante das mudanças. “A palavra do século 21 é serenidade”, afirmou. “Você precisa cuidar da sua mente, da sua alma, do equilíbrio. O ser humano é o que move tudo isso.”

A especialista em inovação do Sebrae Rio Grande do Sul, Natália Carnever, aproxima essa discussão da realidade dos pequenos negócios ao defender que inovação não deve ser confundida com tecnologia. “Inovação é conhecimento. É trazer novas formas de gerir o negócio, de vender, de atender e de se conectar com outras pessoas”, afirmou.

Segundo Natália, os MEIs têm buscado cada vez mais soluções práticas, rápidas e aplicáveis ao dia a dia, principalmente em áreas como fluxo de caixa, automação e atendimento ao cliente. “O microempreendedor não tem tempo. Então ele procura soluções que tragam agilidade e produtividade”, disse.

Esquenta Semana do MEI

O Esquenta Semana do MEI termina nesta sexta-feira (22), com um encontro com Ana Tex, empresária conhecida pelos conteúdos sobre posicionamento digital, e-commerce e vendas pela internet. Assista aqui à terceira live na íntegra.

Semana do MEI

De 25 a 29 de maio, o Sebrae promove em todo o Brasil a Semana do MEI, com ações presenciais e eventos on-line. Em sua 17ª edição, a iniciativa contempla em sua programação atividades sobre comportamento empreendedor, planejamento para formalizar ou decolar seu negócio, orientações para crédito, gestão financeira, inovação, transformação digital, atendimento ao cliente, como vender mais e melhor, marketing e muito mais.

Participe!

Saiba mais sobre a Semana do MEI neste link.

  • Esquenta da Semana do MEI
  • Inovação
  • microempreendedores individuais