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Pesquisa do Sebrae mostra que, em 2020, dobrou a demanda por crédito nos pequenos negócios

Pesquisa anual realizada pelo Sebrae identificou que, nos últimos seis meses, passou de 18% para 38% a proporção de Pequenos Negócios que tentou um empréstimo novo nos bancos
Por Redação
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Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos meses pelos donos de pequenos negócios, o ano de 2020 foi marcado pela expansão do crédito bancário para as micro e pequenas empresas brasileiras. É o que mostra a 8ª edição da Pesquisa “Financiamento dos Pequenos Negócios no Brasil”, produzida pelo Sebrae, entre os dias entre os dias 14 de setembro e 11 de novembro deste ano. O levantamento anual, feito desde 2013, identificou também que no segundo trimestre de 2020, período mais difícil da pandemia, aumentou em 35% o volume de crédito concedido pelos bancos, comparado ao II trimestre de 2019. O volume de crédito concedido passou de R$ 65 bilhões no segundo trimestre de 2019 para R$ 87 bilhões, no mesmo período de 2020. 

No entanto, esse aumento no total de crédito concedido não foi acompanhando pelo crescimento do número de pequenos negócios tomadores de crédito, que se manteve praticamente estável quando se compara os dois períodos mencionados.  “Observamos que não houve um aumento no número total de pequenos negócios tomadores de crédito, mas houve um crescimento considerável no volume de crédito e um recorde de 79% na proporção de empréstimos tomados como Pessoa Jurídica. Sob influência da pandemia houve, por um lado, uma mobilização do governo para oferecer programas de crédito emergenciais e, por outro, a necessidade de crédito por parte dos empresários diante de crise profunda”, explicou o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

O estudo feito pelo Sebrae pelo oitavo ano consecutivo colheu informações de 1.201 empresários de todos os 26 estados e do DF, sendo 661 donos de microempresas; 234, de empresas de pequenos e 306 microempreendedores individuais (MEI). A pesquisa também foi complementada por análises feitas a partir de dados fornecidos pelo Banco Central. 

Dessa forma, o Sebrae identificou também que, entre os ramos dos pequenos negócios, a expansão do volume do crédito foi concentrada nas Empresas de Pequeno Porte (EPP), que ficaram com 83% das novas concessões, contra 12% das microempresas e 5% no caso dos microempreendedores individuais (MEI).  Já o número total de Pequenos Negócios tomadores de empréstimo bancário cresceu apenas 1%, no mesmo período de comparação. “Os dados indicam que, neste contexto, as empresas que conseguiram crédito já possuíam um relacionamento bancário e foram favorecidas por uma boa organização financeira”, destacou Melles. 

Dificuldades diminuíram, mas continuam elevadas

O levantamento anual do Sebrae apontou ainda que, apesar dos obstáculos históricos para o acesso ao financiamento dos negócios, o ano de 2020 apresentou uma queda no nível de dificuldade na obtenção de empréstimos bancários, segundo avaliação dos próprios empresários. Em 2019, 69% dos Pequenos Negócios encontrou dificuldade, em 2020, 63% encontrou dificuldade. Outro dado revelado pelo Sebrae foi que, nos últimos seis meses, mais que dobrou a demanda por empréstimo novo em bancos por parte de donos de empreendimentos de pequeno porte. Enquanto em 2019, 18% dos empresários tentou obter um crédito, em 2020, esse percentual foi de 38%, sendo que os recursos foram utilizados principalmente para capital de giro.  Entre os novos empréstimos ou financiamentos tomados, 55% foram feitos por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), lançado pelo Governo Federal para responder aos fortes impactos da crise sobre os pequenos negócios. 

Os relatos de dificuldades dos empresários junto aos bancos também caíram expressivamente, principalmente sobre as taxas de juros (de 44% para 18%) e exigência de garantias (de 20% para 11%). De acordo com o estudo, essa queda é sobretudo é reflexo do Pronampe e da disponibilização de novas linhas de crédito com garantias do Sebrae, via Fampe (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas), entre outros fundos garantidores. Mesmo com uma melhora no cenário de crédito bancário neste ano, o estudo do Sebrae também mostra que um dos principais desafios para 2021 ainda é a redução da burocracia, considerada um fator importante para facilitar a aquisição de empréstimo. 

O trabalho mostra ainda que as demais formas de financiamento, não bancários, “comuns” entre os Pequenos Negócios, como negociar prazo com fornecedores, passar cheque pré-datado e usar recursos de amigos e parentes, também foram bem menos utilizados em 2020, se comparado a todos os demais anos em que a pesquisa foi realizada.

A pesquisa também mostrou que muitos empresários ainda desconhecem algumas alternativas existentes para ajudar na manutenção dos negócios. É o caso da Empresa Simples de Crédito (ESC), que é desconhecida pela grande maioria dos empresários (91%), bem como a possibilidade de empréstimos em instituições financeiras por meio de canais digitais. Neste caso, apenas 12% dos empresários afirmaram que já solicitaram empréstimo por meio da Internet, seja pelo site do banco ou aplicativo. Por outro lado, 57% disseram que sabiam da existência da possibilidade de empréstimo via maquininha de cartão, mas apenas 2% já solicitou essa modalidade de crédito. 

Confira abaixo outros números apresentados pela pesquisa: 

*Em 2020, apesar de uma forte contração das fontes de financiamento (extra bancário), aumentou a proporção de pequenos negócios que utiliza recursos de bancos oficiais (de 8% para 13%) 

*Número total de pequenos negócios tomadores de crédito passou de 5,8 milhões no 2º trimestre de 2019 para 5,9 milhões no 2º trimestre de 2020. 

*Análise da pesquisa desde 2013 (1ª edição), mostra que 2020 registrou a maior proporção de pequenos negócios que tomou empréstimos em bancos como PJ (79%). 

*O Pronampe respondeu por mais da metade dos empréstimos novos, nos últimos 6 meses, com 55%. 

*Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil lideram o ranking dos bancos mais procurados pelos pequenos negócios, mas as instituições financeiras não tradicionais, como o Sicoob, Banpará e Sicredi são mais bem avaliadas em termos de satisfação. 

*Enquanto a demanda por capital de giro aumentou nos últimos 6 meses, as demais tiveram queda, como por exemplo, empréstimo para reforma ou ampliação do negócio e compra de máquinas e equipamentos.