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De uma amizade nasceu uma rede que abre espaço para pequenos negócios em Araras

Atena Loja Colaborativa reúne 13 marcas e mostra como dividir espaço, custos e oportunidades pode fortalecer quem empreende
Por Camila Vidal
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Antes de dividirem uma loja, Paulimara Rodrigues e Graziela Espósito já compartilhavam uma amizade de mais de duas décadas. As duas se conheceram na faculdade, em 1999, seguiram carreira na área financeira e, anos depois, viveram uma mudança parecida: com a chegada da maternidade, encontraram no empreendedorismo a possibilidade de construir novos caminhos profissionais.

Entre cursos, feiras, bazares e capacitações do Sebrae, as amigas foram acumulando experiências e percebendo uma dificuldade recorrente entre quem produzia e vendia por conta própria: chegar ao consumidor e manter um espaço físico sem precisar arcar sozinho com todos os custos. Essa inquietação foi a semente da Atena Loja Colaborativa, inaugurada em março de 2025, em Araras (SP).

A ideia já havia sido experimentada em Leme (SP), onde um projeto anterior chegou a reunir 14 marcas. Mas foi durante a Feira do Empreendedor de 2024 (FE24), a partir das conexões estabelecidas no ecossistema do Sebrae, que o projeto de Araras ganhou impulso para sair do papel. Paulimara e Graziela reuniram empreendedoras que conheciam das feiras e bazares e começaram a estruturar o novo espaço.

“Para mim, a Atena representa muito mais do que uma loja. Ela é resultado de uma amizade que atravessou décadas, de duas mulheres que encontraram novos caminhos depois da maternidade e de um sonho que nasceu da nossa própria experiência como empreendedoras. Ela nasceu da colaboração antes mesmo de ser uma loja colaborativa”, conta Paulimara.

Foto: Divulgação

Atualmente, 13 marcas dividem as vitrines da Atena, entre artesanato, decoração, jardinagem criativa, acessórios e presentes. “Quando uma pessoa entra na loja, ela não encontra apenas um produto. Ela encontra uma rede de pequenos negócios”, destaca Paulimara. Há empreendedores mais experientes e outros que estão começando a transformar uma habilidade em fonte de renda.

Cada um preserva a identidade e a autoria de seus produtos, enquanto estrutura e despesas do ponto comercial são compartilhadas. A experiência, segundo ela, também estimula a profissionalização: estar em uma loja física exige pensar em preço, estoque, embalagem, atendimento e experiência do cliente.

E algumas transformações ultrapassam o caixa da loja. Uma delas aconteceu dentro da própria família de Graziela Espósito. Aos 72 anos, Beth, mãe da empreendedora e carinhosamente chamada de “Vovó Beth”, começou auxiliando nas atividades da Atena, tornou-se atendente e passou também a criar suas próprias peças artesanais. Paulimara conta que a convivência e o trabalho contribuíram para que ela enfrentasse desafios pessoais e recuperasse confiança e sociabilidade.

Outros integrantes da rede também encontraram no espaço estímulo para retomar seus negócios, complementar a renda e voltar a acreditar no próprio trabalho. “Às vezes, o pequeno empreendedor não precisa de uma grande estrutura para dar o próximo passo. Ele precisa de oportunidade, visibilidade, orientação e de um ambiente em que não precise caminhar sozinho”, afirma.

Foto: Divulgação

Nesse percurso, Paulimara destaca que o Sebrae esteve presente não apenas pelas capacitações, mas pela criação de ambientes de troca e conexão entre empreendedores. A participação em iniciativas como o Sebrae Comunidades e a Feira do Empreendedor ajudou a ampliar redes e transformar encontros em oportunidades de negócio.

“Mais do que oferecer conhecimento técnico, o Sebrae cria ambientes onde empreendedores conseguem se encontrar. E, muitas vezes, uma conexão pode ser tão importante quanto uma capacitação”, avalia. Para ela, a trajetória da Atena demonstra como formação, relacionamento e acesso a redes podem ajudar pequenos negócios a avançar coletivamente.

Na prática, a experiência materializa a proposta do movimento Compre do Pequeno, do Sebrae: mostrar que escolhas de consumo também podem movimentar comunidades e abrir novas oportunidades. “O ‘Compre do Pequeno’ não precisa ser apenas uma frase bonita. Ele pode ser uma escolha consciente do consumidor”, defende Paulimara.

“Colaboração não significa apenas dividir um espaço ou um custo. Significa dividir oportunidades, conhecimento, divulgação, clientes e, principalmente, acreditar que o crescimento de um pode contribuir para o crescimento de todos.”

Foto: Inove

Compre do Pequeno

Os pequenos negócios brasileiros são a grande força da economia brasileira. Com mais de 24,19 milhões de CNPJs – o que representa mais de 96% das empresas ativas -, o setor é responsável por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). São mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP) atuando em todo o território nacional.

A força desse segmento é celebrada de forma especial em dia 5 de outubro, o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa é celebrado no dia 5 de outubro. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, para valorizar o papel que esses empreendedores desempenham nas vidas das pessoas e de suas localidades.

Somente em 2026, o Brasil já registrou a abertura mais de 4 milhões de novos pequenos negócios. A contribuição para a economia também se dá pela geração de empregos: em média, 80% dos empregos gerados estão no setor. Ao decidir comprar em um pequeno negócio, o consumidor contribui para a circulação de dinheiro dentro de própria comunidade, a geração de mais vagas de trabalho e o desenvolvimento da economia local.

  • Compre do pequeno
  • inclusão econômica