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Em cinco anos, abertura de pequenos negócios de serviço de cuidadores cresceu 74% no Brasil

Atividade registrou 57,2 mil novos CNPJs em 2025. População com mais de 65 anos cresceu 57% em 12 anos, segundo IBGE
Por André Gomes
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O envelhecimento da população brasileira incentiva um nicho de mercado cada vez mais relevante para os pequenos negócios no país. Entre 2020 e 2025, a abertura de micro e pequenas empresas registradas na atividade “fornecimento de infraestrutura de apoio e assistência a paciente no domicílio” (CNAE 8712-3) cresceu 74%, segundo levantamento feito pelo Sebrae na primeira semana de fevereiro, tomando como base os dados da Receita Federal do Brasil. Somente em 2025, foram abertos 57,2 mil novos CNPJs nessa atividade.

O movimento acompanha a mudança demográfica. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 65 anos cresceu 57% em 12 anos. Hoje, o país tem mais de 33 milhões de idosos. Na prática, o cuidado, que antes ficava quase exclusivamente sob responsabilidade das famílias, se transformou em mercado estruturado, com geração de renda e profissionalização do serviço.

Filhos de cuidadoras, Edmilson Santos e Kelvin Carvalho decidiram transformar a experiência familiar em negócio. Eles criaram a Cuid, startup que conecta profissionais a famílias que precisam de atendimento domiciliar. A plataforma usa geolocalização para indicar cuidadores próximos e permite que os clientes consultem perfil, experiência e avaliações. A empresa também faz a intermediação da contratação.

Foto: Divulgação

Segundo Edmilson, cofundador da startup, 2025 foi o ano de maior crescimento da empresa. “Triplicamos o faturamento em relação a 2024. Também evoluímos nosso modelo de negócio e investimos em tecnologia e qualidade.” Hoje, a empresa atua em 24 estados e planeja expansão. Ele afirma que o apoio do Sebrae ajudou a estruturar o negócio: “Saímos de uma operação intuitiva para um modelo mais organizado, com metas claras e preparação para crescimento acelerado.”

Mercado deve crescer por décadas

A tendência é de continuidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de idosos no mundo deve dobrar até 2050. Na visão da gestora nacional do Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac, o setor ainda tem espaço para crescer. “O envelhecimento acelerado cria um cenário favorável para quem quer empreender com profissionalismo. É um mercado que deve se expandir por décadas, mas exige preparo.”

O que é preciso para atuar na área

A especialista do Sebrae cita quatro pontos considerados essenciais para quem quer abrir ou consolidar um negócio de cuidadores:

  1. Qualificação contínua: as famílias buscam segurança e profissionalismo. Investir em cursos de cuidador, primeiros socorros, doenças crônicas e noções de gerontologia faz toda a diferença.
  2. Personalização e humanização: cuidar de idosos envolve vínculo, empatia e adaptação às necessidades físicas, emocionais e cognitivas. A personalização do atendimento é decisiva.
  3. Regularização e atenção às normas: cumprir exigências legais, licenças, alvarás, normas sanitárias e responsabilidades trabalhistas fortalece a credibilidade e protege o negócio. Atuando de forma correta desde o início, o empreendedor ganha estabilidade no mercado.
  4. Uso de tecnologia: ferramentas digitais aumentam a transparência e o valor percebido pelos contratantes. Apps para relatórios e monitoramento remoto são algumas opções.
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