Os quatro dias de Connection Terroirs do Brasil, o maior evento de promoção dos produtos que têm Indicação Geográfica (IG) — ou seja, um selo de qualidade concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) atestando características únicas de excelência — foram de saldo positivo para os empreendedores que estiveram lá. Vendas para o outro lado do mundo, contatos com compradores do Brasil, troca de experiências e estoques acabando após as degustações promovidas na área de visitação do encontro foram alguns dos relatos ouvidos pela Agência Sebrae de Notícias.
O evento ocorreu entre 10 e 13 de junho, em Gramado (RS), reunindo representantes de 56 produções com IGs dos mais variados segmentos, como queijos, vinhos, cacau, embutidos, artesanato, frutas e açaí. Dessas, 18 estavam pela primeira vez no Connection. O Brasil conta hoje com 161 produtos com o selo de IG. Saiba o que empreendedores veteranos e novatos no evento falaram sobre suas participações:

Paula Gripp, diretora da Associação dos Produtores Especiais do Caparaó, da IG Cafés do Cerrado:
“Foi extraordinária essa rodada de negócios que aconteceu. Já recebi duas mensagens de clientes querendo o nosso café, que é naturalmente doce e sensorialmente diverso, e comecei contatos com alguns empórios também. Ter essa IG é uma carteira de identidade que certifica a nossa condição de café especial. O Sebrae sempre nos ajudou, não só com a IG, mas nos apoiando em eventos como esse, capacitações, concursos. Oficinas para poder trabalhar no formato de pitch, para trabalhar fotografias, embalagem, mercados a serem acessados. É uma jornada longa e que continua.”

Sheila Zanette, presidente da Associação dos Produtores de Maçã e Pera de Santa Catarina, da IG Maçã Fuji de São Joaquim (SC):
“Estar no Connection é poder mostrar para os consumidores e compradores o nosso produto, contar de onde veio, fazer contatos e entender como as outras IGs estão atuando, se posicionando. Somos mais de 2.600 produtores, 36% da maçã de todo o Brasil vem da região de São Joaquim, e também exportamos. Mas somos pequenos produtores, precisamos de oportunidades de estar em eventos como esse para voltar para a nossa região e repassar para os demais associados. Nossa maçã é muito doce, porque é produzida acima de 1.100 metros de altitude. Tem a quantidade de horas ideal, que são mais de 700 horas de frio, no processo de produção, por isso consegue ter essa suculência, a doçura que ela tem. E da maçã fazemos balinhas, sucos e até gaseificados.”

Ketlyn Coutinho, gerente comercial da Cooperativa dos Produtores Extrativistas do Bailique e Beira Amazonas (AP), da IG Açaí do Bailique:
“Viemos do Amapá para Gramado mostrar nosso produto, que é produzido em Bailique, um conjunto de ilhas que tem a várzea e a influência do oceano juntos, o que deixa nosso açaí mais saboroso, doce, com textura e cor diferenciada. Já participamos da rodada de negócios aqui e temos um comprador da Austrália interessado. Ele gostou da facilidade de exportarmos o açaí na forma liofilizada, que é o nosso carro-chefe hoje. Depois que obtivemos o selo de IG no ano passado, com o apoio do Sebrae, novos horizontes se abriram. Estamos fechando uma venda para a China e aumentando nosso mercado interno também. Somos 143 produtores cooperados hoje e processamos 5 toneladas de açaí por dia. Já vendi praticamente tudo que eu trouxe para expor.”

Liane Castilhos, apicultora em Camará (RS) e produtora do mel de melato de bracatinga, que tem IG reconhecida em municípios dos três estados do Sul:
“Nosso mel é o caso do lixo ao luxo, porque ele era jogado fora antigamente. Depois, descobriram as qualidades únicas desse produto, que começa a ser produzido na bracatinga, que é uma árvore, quando é atacada por um tipo de cochonilha. Então, é um mel que passa por dois processos enzimáticos, o da cochonilha e depois o da abelha. Após conseguirmos nossa IG, há cerca de cinco anos, nosso produto ganhou valor agregado, de cerca de 30%. Saíram muitas matérias na época, muita gente passou a conhecer e hoje chega aos municípios que produzem para comprar mesmo. É um mel de doçura diferente, que não cristaliza de modo algum, realmente é muito especial. E nos eventos como o Connection, a gente divulga ainda mais, gerando mais oportunidades de negócios.”

Núbia Medeiros, da Associação de Produtores de Queijo Minas Artesanal do Cerrado, da IG Queijo do Cerrado:
“É a primeira vez que eu venho ao Connection Terroirs e estou muito animada. Trocamos muitos contatos, é muito gratificante poder mostrar nosso queijo para gente de todo o país, falar com compradores. Isso tudo só acrescenta ao nosso negócio, que começou pequeno. Conseguimos os selos necessários, depois veio a IG Queijo do Cerrado, que valorizou o nosso produto, mostrando toda a nossa maneira especial de produzir. Há um ano e meio deixei meu emprego na prefeitura para me dedicar apenas ao queijo e estamos todos muito animados na associação.”

Simone Bica, presidente da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas, da IG Doces de Pelotas:
“Estamos aqui no Connection deste ano com 11 associadas, das 22 no total, e está sendo muito enriquecedor, porque elas estão vendo o alcance do próprio produto, a valorização que a IG traz. Quando vamos mandar nosso produto para fora, ter a IG faz toda a diferença, porque é uma garantia de qualidade. A rodada de negócios foi incrível. E vamos, mais uma vez, contar com o Sebrae para nos ajudar a melhorar a logística dos nossos envios. É incrível o que o Sebrae faz no nosso dia a dia, em consultorias, estudos, capacitações. Pessoas que até então eram só doceiras mesmo, só mexiam panelas, hoje são empreendedoras.”

