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Da tradição familiar à eficiência industrial: como uma empresa de Macapá aumentou a produtividade em 21%

Com apoio do Sebrae por meio do programa Brasil Mais Produtivo, a Amapuera reorganizou processos e fortaleceu sua atuação no mercado regional
Por Brunna Pires
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A participação no Programa Brasil Mais Produtivo, com consultorias do Sebrae em parceria com o Senai, marcou um novo momento para a Amapuera Casa e Construção, de Macapá (AP). Após a implementação das melhorias propostas pelo programa, a empresa registrou um aumento de 21% na produtividade, com ganhos expressivos na organização da fábrica, no fluxo de produção e na eficiência operacional.

Os resultados começaram a aparecer rapidamente. A capacidade de corte mensal saltou de 15 mil para 23 mil peças, representando um crescimento entre 30% e 40%, além de avanços significativos no setor de fitagem. Mais do que números, a empresa passou a operar de forma mais organizada, segura e preparada para crescer.

O apoio do Brasil Mais Produtivo teve início no final de 2023 e foi intensificado ao longo de 2024. Durante as consultorias, os especialistas identificaram gargalos importantes dentro da fábrica, especialmente relacionados à organização do layout, ao armazenamento de materiais e à perda de tempo produtivo.

“A gente não percebia o quanto perdia em produção quando o operador precisava sair da máquina para buscar material. A consultoria fez a gente enxergar que esses pequenos deslocamentos impactavam diretamente o resultado final”, explica Giundiandro Duarte, gestor da empresa.

Foto: Divulgação

Uma história construída em família

A trajetória da Amapuera ganha ainda mais significado quando se olha para suas origens. Fundada oficialmente em 1996, a empresa nasceu a partir de uma oportunidade inesperada. A mãe de Giundiandro, contadora de formação, recebeu o convite para se tornar distribuidora de compensados no Amapá, ao final de um projeto industrial do qual participou.

Ela não vinha do comércio, mas resolveu apostar. Eu era muito jovem na época, mas já ajudava no que podia. Meu avô trabalhou com serrarias, e esse conhecimento acabou influenciando o surgimento de uma pequena movelaria familiar nos anos 1990.

Giundiandro Duarte, gestor

No começo, a empresa funcionava junto a uma pequena movelaria da família, que fabricava portas e móveis simples, vendidos na própria loja. Em 2000, veio um passo importante com a mudança para um ponto próprio, ainda modesto, que se tornaria a base do negócio por mais de duas décadas.

Com as mudanças na legislação ambiental e a dificuldade crescente de acesso a madeira, a empresa precisou se reinventar. Em 2017, a Amapuera deixou de atuar como marcenaria tradicional e passou a investir em uma central de serviços, focada em corte e fitagem de MDF, fornecendo produtos semiacabados para marceneiros e montadores da região.

No ano seguinte, com o falecimento da mãe, Giundiandro assumiu integralmente a gestão do negócio. Ao lado dos filhos e da esposa, manteve a essência familiar da empresa, ao mesmo tempo em que buscou profissionalizar cada vez mais a operação.

Produtividade, organização e futuro

As mudanças implantadas com o Brasil Mais Produtivo também trouxeram impactos visíveis no dia a dia da fábrica. Ambiente mais limpo, colaboradores utilizando EPIs, materiais organizados e maior conscientização sobre segurança e eficiência foram alguns dos frutos colhidos pela participação no programa.

O apoio do Sebrae e do Senai foi decisivo para elevar o negócio a um novo patamar de competitividade. “O programa não só melhorou nossa produção, como mudou nossa forma de pensar a fábrica. A gente passa a trabalhar de forma mais estratégica”, finaliza Giundiandro.

Transformação digital e produtividade em alta

O Brasil Mais Produtivo ajuda micro, pequenas e médias empresas a modernizarem seus processos, com foco na transformação digital e no uso de tecnologias nacionais inovadoras. Nesses dois anos, o programa – que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com Sebrae, Senai, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES – alcançou 67,5 mil empresas. Desse total, 30,5 mil foram do setor industrial e 37 mil de comércio e serviços. Foram mais de 90 mil atendimentos realizados, uma vez que as empresas podem participar de mais de uma modalidade do programa.

Segundo dados do Senai e do Sebrae, as empresas em manufatura enxuta (sistema de gestão industrial que visa a aumentar a eficiência e a produtividade por meio da redução de erros, redundâncias e desperdícios na produção) registraram aumento médio de 28% na produtividade após o trabalho de consultoria.

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