Um dos momentos mais aguardados do Startup Summit 2025 foi marcado pelo anúncio oficial do FIC FIP Sebrae Germina, fundo pioneiro criado pelo Sebrae em parceria com o BTG Pactual Asset Management. Lançado nesta quinta-feira (28), em Florianópolis, o fundo começa com aporte inicial de R$ 100 milhões do Sebrae Nacional e pode chegar a R$ 500 milhões até 2026, com a adesão de unidades estaduais da instituição.
O anúncio ocorreu diante de 10 mil participantes presenciais e outros 24 mil online que acompanharam o evento, realizado pelo Sebrae e pela ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). Já consolidado como um dos maiores encontros de inovação e tecnologia da América Latina, o Startup Summit deve movimentar cerca de R$ 16,3 milhões em negócios e conexões estratégicas.

Com gestão profissional do BTG Pactual Asset Management, o Germina se posiciona como um dos maiores fundos dedicados exclusivamente a pequenos negócios inovadores no Brasil. A estratégia permitirá ao Sebrae investir em fundos de participação societária (FIPs) especializados, que destinarão recursos diretamente para startups. O plano inicial prevê aportes em 8 a 10 FIPs, com valores entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões cada, beneficiando cerca de 100 startups ainda em 2025, nos estágios de pré-seed e seed.
O fundo também nasce para enfrentar um dos principais gargalos do ecossistema brasileiro de inovação: a escassez de capital nos estágios iniciais. Ao disponibilizar recursos e apoio estratégico, o fundo busca estimular a interiorização da inovação, fortalecendo ecossistemas regionais e ampliando a base de empreendedores com acesso a capital de risco.
Durante o evento, os executivos do Sebrae e do BTG Pactual explicaram as motivações e os impactos do fundo. Valdir Oliveira, gerente de capitalização e serviços financeiros do Sebrae Nacional destacou a importância de criar um instrumento financeiro de grande porte para startups. “Estamos lançando um fundo inovador que vai estimular o Venture Capital no país. O BTG Pactual será o gestor, em parceria com o Sebrae Nacional e as unidades estaduais, começando por São Paulo”, afirma.
“O aporte inicial é de R$ 100 milhões, mas nossa meta é chegar a R$ 500 milhões, se consolidando como o maior fundo da América Latina”
Valdir Oliveira, gerente de capitalização e serviços financeiros do Sebrae Nacional
Bernardo Guimarães, sócio do BTG Pactual Asset Management, explicou o comprometimento da gestão profissional do fundo. “É uma honra sermos escolhidos como gestores deste fundo. Foram mais de seis meses de dedicação e construção conjunta, e estamos muito motivados com o potencial de crescimento dessa parceria com o Sebrae. Acreditamos que esse é um passo estratégico para fortalecer o ecossistema de inovação no Brasil”, afirmou.
Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional, reforçou a visão estratégica de longo prazo do fundo. “Fomentar a inovação no Brasil exige coragem para investir, mesmo em um cenário de juros elevados. O papel do Sebrae, junto com o BTG e demais parceiros, é criar instrumentos que ampliem o acesso a capital, reduzam riscos e fortaleçam os ecossistemas empreendedores. Este fundo não é uma ação isolada, mas parte de uma estratégia integrada que envolve crédito, aceleração, mentorias e conexões de mercado”, afirma.
“É mais um passo concreto para mudar a cultura de investimento no país e apoiar quem realmente faz a diferença”
Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional
Nelson Hervey, diretor-superintendente do Sebrae/SP, comentou sobre o engajamento do Sebrae em toda a jornada empreendedora. “Essa iniciativa mostra como o Sebrae atua em toda a jornada empreendedora, desde a base até os momentos de maior aceleração. Nosso conselho apontou a necessidade de ampliar os fundos, e agora estamos colocando isso em prática. Já no próximo mês teremos um novo aporte significativo, reforçando o compromisso do Sebrae em participar ativamente desse processo do começo ao fim”, disse.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, trouxe uma reflexão sobre o cenário de crédito no país e o papel do fundo na mudança dessa realidade. “Historicamente, o crédito no Brasil não foi feito para as micro e pequenas empresas, que representam 95% das companhias do país. Hoje, 88% dessas empresas ainda não têm acesso a financiamento, enquanto grandes corporações dominam as linhas de crédito tradicionais. Quando chegamos ao Sebrae, nossa carteira de crédito com fundo garantidor alcançava cerca de R$ 1 bilhão por ano. Este ano, nossa expectativa é chegar a R$ 12 bilhões em crédito, 12 vezes mais do que praticávamos anteriormente”, detalhou o presidente, ao demonstrar que o Sebrae tem ampliado as formas de fomento financeiro aos pequenos negócios.
“Diferente do crédito tradicional, aqui o Sebrae passa a ser sócio do negócio, aportando capital para que empresas possam crescer e escalar”
Décio Lima, presidente do Sebrae
O BTG Pactual Asset Management já mapeou cerca de 70 FICs que tem os pequenos negócios em sua tese de investimento.