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Micro e pequenas empresas alcançam 75% do volume de recursos em edital de inovação da Finep

Chamada pública de subvenção econômica regional somou R$ 450 milhões para desenvolvimento de projetos inovadores e de risco tecnológico
Por Cibele Maciel
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As microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) conseguiram captar R$ 336 milhões por meio de projetos aprovados na chamada pública de subvenção econômica regional de incentivo à inovação realizada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio do Sebrae. No total, a soma de recursos não reembolsáveis alcançou R$ 450 milhões, sendo R$ 300 milhões iniciais que foram complementados com aporte adicional de 50%.

A seleção foi aberta para empresas de todos os portes que atuam nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ao todo, 88 MPE foram contempladas para desenvolver soluções inovadoras e de risco tecnológico com impacto no desenvolvimento regional e na realidade social de origem.

A iniciativa superou em quase 400% as metas iniciais, que previam 18 MPE selecionadas. O volume de captação das MPE teve um crescimento de 273% na comparação com a previsão inicial, que era de R$ 90 milhões. Victor Melo, analista de Inovação do Sebrae Nacional, explica que, diferentemente de um empréstimo, a subvenção econômica permite compartilhar parte dos riscos envolvidos no desenvolvimento de novas soluções.

Para um pequeno empreendimento, desenvolver uma tecnologia de alto risco pode ser uma oportunidade enorme, mas também um investimento difícil de suportar. A subvenção permite compartilhar esse risco e dar condições para que uma boa tecnologia saia do projeto, seja testada, ganhe escala e chegue ao mercado.

Victor Melo, analista de Inovação do Sebrae Nacional

De acordo com o edital, as propostas estão associadas às seis missões da Nova Indústria Brasil, com maior concentração em agroindústria sustentável e digital, complexo econômico-industrial da saúde, transformação digital, bioeconomia e descarbonização.

Os projetos selecionados abrangem tecnologias com níveis de maturidade diferentes, com valores da ordem de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por proposta. Entre os 78 projetos inicialmente aprovados, o ticket médio ficou em aproximadamente R$ 3,8 milhões.

Foto: Alexandre Brincalepe Campo

Subvenção econômica assistida 

Inicialmente, o edital previu R$ 300 milhões em recursos não reembolsáveis para empresas de todos os portes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No entanto, a Finep anunciou uma suplementação de R$ 150 milhões para beneficiar outros 36 projetos já analisados e recomendados para contratação, mas que ficaram fora do orçamento original. Desse total, 28 são MPE que captaram R$ 111 milhões com o aporte adicional.

Com parceiro, o Sebrae participou da avaliação das propostas e também atuará no desenvolvimento e acompanhamento das empresas selecionadas em uma experiência inédita de subvenção econômica assistida.

A proposta é oferecer uma jornada estruturada de desenvolvimento empresarial e tecnológico, com diagnóstico, capacitação, aceleração, mentorias e monitoramento.

Victor Melo, analista de Inovação do Sebrae Nacional

Ampliação e democratização da inovação 

As 60 propostas selecionadas no bloco inicial de R$ 300 milhões estão distribuídas por 35 municípios de 16 estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O Nordeste concentrou o maior número de projetos aprovados, com 40, seguido pelo Centro-Oeste, com 27, e pelo Norte, com 11. Pernambuco liderou a distribuição estadual, com 13 projetos, à frente de Goiás, com 11, e Bahia, com 10.

Todos os estados do Nordeste e Centro-Oeste tiveram projetos aprovados, e sete municípios foram alcançados pela primeira vez por uma chamada da Finep, entre eles, Salgueiro e Goiana, em Pernambuco; Luís Eduardo Magalhães, na Bahia; Inhumas, em Goiás; Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso; e Santa Bárbara do Pará, no Pará. Entre os projetos aprovados, 36 são de Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs).

“Acesso à capital e capacidade de execução precisam caminhar juntos. O desafio do pequeno negócio não é apenas conseguir dinheiro para inovar. É conseguir transformar esse recurso em tecnologia, produto, mercado e crescimento. Por isso, defendemos que ampliar o acesso ao financiamento precisa vir acompanhado do fortalecimento da capacidade de execução das empresas”, finaliza o analista do Sebrae.

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