O Sebrae e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ao lado de mais de 30 instituições parceiras, lançaram nesta quinta-feira (17), em Rio Branco (AC), a Governança pelos Negócios da Bioeconomia Amazônica. O objetivo é unir forças, evitar a sobreposição de projetos e converter a riqueza socioambiental da Amazônia em desenvolvimento econômico sustentável.
O evento foi realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (UFAC), durante o Inova Amazônia Summit. A iniciativa busca estruturar uma agenda integrada de apoio aos pequenos negócios, comunidades tradicionais e cooperativas da região. A estratégia combina inovação, acesso a crédito, capacitação, gestão e abertura de mercados para produtos extrativistas e artesanais.
“É muito importante conhecer de perto a realidade dos territórios, entender os desafios e reconhecer o papel das cooperativas nesse processo. Para manter a floresta em pé, é fundamental garantir que as pessoas que vivem nela tenham condições de viver com dignidade, gerar renda e sustentar suas famílias. Essa é a nossa obrigação: construir um futuro de desenvolvimento e qualidade de vida para essa população”, afirmou o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.
Vamos atuar efetivamente para que esse calendário que vocês construíram se transforme em realidade, com a chegada de novas tecnologias, inovação e oportunidades para as cooperativas,
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
A reunião aprovou um cronograma de ações até dezembro. Entre 18 de setembro e 28 de outubro, será feito um levantamento com as instituições participantes. A ideia é reunir contribuições sobre iniciativas já desenvolvidas, programas, dados, capacidades e oportunidades.
As informações reunidas serão discutidas na segunda reunião da Governança, prevista para 30 de outubro, que vai validar microagendas e definir prioridades.

Conexão estratégica e compromisso com a ação
A iniciativa, segundo a secretária Nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, se alinha à estratégia que vem sendo desenvolvida para fortalecer a economia sustentável. “A gente esteve, pelo menos nos últimos quatro anos, à frente da construção de um marco legal da bioeconomia. Hoje nós temos vários programas e estratégia, o que orientou muitas políticas públicas”, comentou.
Para o porta-voz da Abase Norte (Associação Brasileira dos Sebrae Estaduais) e diretor-superintendente do Sebrae/RR, Emerson Baú, o trabalho integrado será fundamental para melhorar a qualidade de vida de uma população estimada em 28 milhões de pessoas. “Não adianta ter um olhar para a floresta e não olhar para as pessoas. A ideia é justamente essa, conciliar floresta e pessoas, e a economia é um caminho para que isso aconteça”, destacou.
Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21, disse que a bioeconomia representa uma das agendas mais importantes para o país atualmente. “O Sebrae é um grande conector das diferentes esferas de governança e da iniciativa privada para convergir em agendas estratégicas. A floresta em pé vale muito mais quando geramos renda digna. Precisamos posicionar a produção das comunidades, que une conhecimento ancestral e científico, dando acesso a tecnologia, crédito, gestão e mercado, tirando os produtores da informalidade”, pontuou. Ele defendeu que o modelo de articulação, após consolidado na Amazônia, seja replicado em outros biomas brasileiros.

