O Sebrae, por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), planeja possibilitar operações de crédito que devem alcançar a marca de R$ 10 bilhões em crédito para os empresários em 2025. A iniciativa integra o programa Acredita, do governo federal, que possibilitou um crescimento da utilização do fundo em 70% no ano passado e que tem como meta chegar a R$ 30 bilhões até 2026. Para alcançar este objetivo, representantes das unidades estaduais do Sebrae que compõem a rede de capitalização e serviços financeiros se reúnem, em Brasília, até esta quarta-feira (26).
“Nosso trabalho aqui é criar uma trilha pré-credito. Qualificar, com os nossos dados, os nossos produtos, a fim de estimular os bancos a utilizarem o Sebrae como ferramenta na oferta de crédito. As unidades estaduais devem assumir esse protagonismo porque conhecem os empreendedores lá na ponta para apoiá-los”, destacou o gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae, Valdir Oliveira.
Nossa missão é sermos cúmplices dos sonhos dos empreendedores.
Valdir Oliveira, gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae.
Além dos R$ 10 bilhões em financiamentos com o aval do Sebrae, o planejamento para 2025 traz o objetivo de chegar a 300 mil atendimentos aos clientes antes da tomada de crédito e a atuação em linhas de financiamento específicas. O Sebrae Nacional deseja também investir cerca de R$ 150 milhões no Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDIC) e no Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento em Participações (FIP).
Somente em 2024, a plataforma do Acredita do Sebrae, criada no mês de abril do ano passado, teve mais de 843 mil acessos. Além disso, foram realizados 374 mil atendimentos junto a 270 mil clientes, totalizando 48 mil operações contratadas no Fampe, com a disponibilização de R$ 2,93 bilhões em crédito.
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Cenário macroeconômico
O analista sênior do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), João Paulo Travasso Maia, foi convidado pelo evento para traçar um cenário econômico para o país. Ele apontou que a situação é de cautela para o mercado, com uma projeção de taxa básica de juros (Selic) na casa dos 15% ao ano, com uma inflação em 5,6% e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) menor do que em 2024, por volta dos 2%.
No entanto, o analista aponta que esse cenário deve ser visto como uma oportunidade. “Quando olhamos para a inadimplência, é bem claro que as empresas estão devendo a estrutura de negócios. O Desenrola Pequenos Negócios foi um grande passo, mas precisamos avançar, pois eles têm dívidas com o comércio, com as indústrias e as utilities (água, luz, internet)”, explicou João Paulo.
Precisamos solucionar o problema da inadimplência para que esse dinheiro vá para a expansão e não somente para o fluxo de caixa.
João Paulo Travasso Maia, analista sênior do SPC Brasil.
O representante da SPC Brasil sugeriu ainda uma atenção especial com as gerações mais jovens de empreendedores, além de focar no setor de Serviços, maior demandante por crédito. “Precisamos nos reinventar para nos comunicarmos com essas pessoas, para evitar que caiam na inadimplência”, apontou. “O setor de Serviços está muito forte. Os consumidores estão mais interessados em experiências. Se a gente focar nesse setor, podemos ter um crescimento e uma melhora na economia”, disse.
Acredita
O Sebrae tem atuado junto ao governo federal no Programa Acredita para ampliar o acesso das micro e pequenas empresas a crédito. Por meio do Fundo de Aval para Micro e Pequena Empresa (Fampe), diversas instituições bancárias de todo o país estão aptas a ofertar os recursos que foram estimulados com o aporte de R$ 2 bilhões do Sebrae.
Esse montante vai viabilizar R$ 30 bilhões em operações de crédito até 2026. A instituição oferece aos empreendedores orientação e acesso a informações para apoiar na decisão antes da tomada de crédito e ao longo de toda a jornada, até a liquidação do empréstimo.