É do Paraná a primeira Indicação Geográfica concedida em 2026. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu oficialmente, nesta quarta-feira (21), o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), para as tortas de Carambeí, município localizado na região dos Campos Gerais. O reconhecimento chancela a autenticidade e a qualidade do produto, que carrega mais de um século de tradição e se tornou patrimônio cultural e gastronômico do município.
A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, destaca a importância da conquista desse registro. “É um reconhecimento a características que são diferenciais importantes no mercado, como origem e qualidade”, afirma.
“As Indicações Geográficas agregam valor ao produto e mostram a excelência que os pequenos empreendedores locais podem alcançar quando unem tradição e conhecimento técnico”
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional
O Sebrae ajuda os pequenos negócios na estruturação e reconhecimento da Indicação Geográfica por meio de ações como capacitação, organização da cadeia produtiva e auxílio na elaboração do dossiê para registro no INPI.
Produzidas desde 1911, com a chegada dos imigrantes holandeses à região, as tortas conquistaram espaço não apenas na mesa das famílias, mas também na economia e na identidade cultural da cidade. As receitas, transmitidas de geração em geração, ganharam versões modernas, mas mantêm características artesanais, elaboradas com insumos regionais de alta qualidade.

A conquista só foi possível graças à organização dos produtores, que se uniram na Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC), composta atualmente pelo Museu Parque Histórico de Carambeí, Frederica’s Koffiehuis, Tortas Wolf e Lavandário Het Dorp- Vilarejo Holandês. Com apoio do Sebrae/PR, realizaram o trabalho de diagnóstico histórico, cultural e sensorial das tortas. O processo envolveu reuniões, estudos, testes de qualidade e avaliação das receitas tradicionais que marcam a identidade local.
Para Paulo Ricardo Los, presidente da APTC e proprietário de um café instalado em um lavandário, o registro é o reconhecimento do trabalho e da dedicação das empresas, das tortas produzidas em Carambeí e de sua autenticidade.
“Agora podemos mostrar para o Brasil toda essa afetividade, essas receitas familiares e tudo que foi construído ao longo desses anos ao redor da cooperativa”, afirma Los.
“A IG vem como um reconhecimento de todo o trabalho investido para fazer com que as tortas de Carambeí fossem conhecidas nacionalmente”
Paulo Ricardo Los, presidente da APTC
Para a consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, a IG representa uma oportunidade de transformação econômica. “O reconhecimento abre portas para novos mercados, fortalece a competitividade dos pequenos negócios e impulsiona o desenvolvimento local e regional. Além disso, contribui para o fortalecimento do turismo gastronômico, valorizando a cultura, a identidade e a história de Carambeí”, destaca.
Carambeí também é sede do Festival de Tortas, evento iniciado em 2010, que surgiu como uma iniciativa da comunidade local para promover a cultura, a gastronomia e a integração entre os moradores e visitantes. A festa tornou-se uma vitrine para a cidade e hoje atrai milhares de turistas em busca de uma experiência gastronômica ímpar, contando com a participação de diversas produtoras e empresas do ramo gastronômico da cidade. O turismo gastronômico leva para Carambeí mais de 200 mil visitantes por ano.
Paraná chega a 23 IGs
A conquista das tortas de Carambeí levou o Estado para o número de 23 Indicações Geográficas. O ano de 2025 foi de recorde no Paraná com a conquista de oito novas IG, como as ostras do Cabaraquara; a ponkan de Cerro Azul; as broas de centeio de Curitiba; a cracóvia de Prudentópolis; a carne de onça de Curitiba; o café de Mandaguari; o urucum de Paranacity e o queijo colonial do Sudoeste do Paraná.

Também possuem a IG o mel de Ortigueira; queijos coloniais de Witmarsum; cachaça e aguardente de Morretes; melado de Capanema; cafés especiais do Norte Pioneiro; morango do Norte Pioneiro; vinhos de Bituruna; goiaba de Carlópolis; mel do Oeste do Paraná; barreado do Litoral do Paraná; bala de banana de Antonina; erva-mate de São Matheus; camomila de Mandirituba; uvas finas de Marialva.
Além delas, há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.
O Estado conta com nove produtos depositados e em análise no INPI: acerola de Pérola; mel de Prudentópolis; caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu; ginseng de Querência do Norte; pão no bafo de Palmeira; cervejas artesanais de Guarapuava; café da serra de Apucarana; mel de Capanema e couro de peixe de Pontal do Paraná.
Indicações Geográficas
Uma Indicação Geográfica (IG) é um ativo de propriedade intelectual que protege um território vinculado a um produto ou serviço, associando a sua origem geográfica específica às suas qualidades únicas. Ela reconhece que certas características, como a reputação, tradição ou qualidade de um produto, são devidas à sua procedência em um local particular, agregando valor, credibilidade e competitividade aos produtos e ao desenvolvimento da região.
Existem dois tipos de Indicações Geográficas concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): a Indicação de Procedência (IP) e a Denominação de Origem (DO). O Brasil possui 160 IGs, sendo 119 IPs (117 nacionais e 1 estrangeira) e 41 Denominações de Origem – DOs (31 nacionais e 10 estrangeiras).
*Com informações da ASN PR
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