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Sebrae e Iphan se unem para apoiar desenvolvimento territorial do Quilombo Kalunga, em Goiás

Assinatura da parceria ocorreu nesta quinta-feira (26), em Brasília. Projeto piloto vai ajudar na construção de uma metodologia participativa para o tombamento de quilombos em todo o país
Por André Gomes
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As comunidades quilombolas Kalunga, localizadas na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, passarão por um inventário de bens culturais e das potencialidades econômicas com o objetivo de alavancar o desenvolvimento territorial. A iniciativa integra uma parceria entre o Sebrae e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), assinada nesta quinta-feira (26), em Brasília.

O acordo vai subsidiar a construção de uma metodologia participativa para o tombamento de quilombos em todo Brasil. A parceria terá de 16 meses. O Sebrae vai colaborar na identificação de caminhos para o desenvolvimento territorial sustentável, com o intuito de gerar renda e oportunidades para a comunidade por meio da valorização da cultura kalunga.

Além disso, atuará como ponte entre o saber ancestral e a inovação sustentável, fortalecendo a autonomia quilombola por meio de uma economia responsável que protege a biodiversidade. “O Brasil que queremos construir passa necessariamente pelo conhecimento das suas raízes. Estamos falando de um trabalho que vai muito além, portanto, da economia. Estamos falando de gente, de história, de identidade”, ressaltou o presidente do Sebrae, Décio Lima.

O Sebrae trabalha de mãos dadas para fortalecer a autonomia das comunidades quilombolas por meio de uma economia responsável que proteja a biodiversidade, valorize a cultura e garanta a prosperidade. Desenvolvimento de verdade é aquele que respeita a história, protege o território, inclui e melhora a vida das pessoas.

Décio Lima, presidente do Sebrae

A chefe de gabinete da presidência do Sebrae em exercício, Paula Mendes, representou a entidade na assinatura do convênio. No total, 39 comunidades e cerca de 7,5 mil pessoas que vivem na região serão beneficiadas com a iniciativa.

Entre as atividades propostas no projeto estão: mapeamento das comunidades Kalunga; realização de oficinas participativas; elaboração do inventário de referências culturais e potencialidades econômicas; georreferenciamento das referências culturais e econômicas; alimentação dos sistemas com dados; e elaboração do dossiê de tombamento.

Foto: Maicon Felipe

“Esses inventários significam que as próprias comunidades dirão o que é o patrimônio cultural. O que estamos acordando com o Sebrae são as condições para que essas escutas aconteçam. Teremos diversas rodas, oficinas, experiências. Ao dizerem o que é patrimônio kalunga, isso estará firmado como compromisso do estado brasileiro para que nenhuma memória seja esquecida”, ressaltou o presidente do Iphan, Leandro Grass.

O presidente da Associação Kalunga Comunitária do Engenho II, Adriano Paulino, recordou que o tombamento do quilombo é algo esperado há muito tempo. “Às vezes sofremos ameaças em e isso é uma ferramenta para a defesa do nosso território. Estamos há mais de 300 anos ali e hoje é um marco histórico. Será muito importante para a comunidade”, disse.

“Estamos muito contentes porque estamos buscando o nosso espaço. Estamos confiantes de que este é o caminho certo. Isso é uma conquista para todo o povo quilombola do Brasil”, completou o prefeito de Cavalcante (GO), Vilmar Kalunga.

Quilombo Kalunga é o maior do Brasil, com 262 mil hectares, 39 comunidades e aproximadamente 9 mil pessoas | Foto: Sebrae

Turismo de Base Comunitária

O Sebrae já vem atuando junto às comunidades quilombolas por meio do estímulo ao Turismo de Base Comunitária. Em 2025, a entidade lançou, em parceria com as associações Quilombo Kalunga (AQK) e Kalunga Comunitária do Engenho II, um estudo de caso pioneiro para reconhecer a atuação local que já permitiu trazer um retorno para a comunidade.

Com uma atuação no turismo de base comunitária há mais de 20 anos, o Quilombo Kalunga tem se transformado em referência para os povos tradicionais e originários quanto ao desenvolvimento do turismo. Ele é o maior quilombo do Brasil, com 262 mil hectares, 39 comunidades e aproximadamente 9 mil pessoas.

Está localizado na região turística da Chapada dos Veadeiros e envolve os municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, e na comunidade do Engenho II. No local está localizada a Cachoeira Santa Bárbara, que para muitos é considerada a cachoeira mais bonita do Brasil.

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