O fortalecimento da indústria brasileira passa, cada vez mais, pela capacidade de integrar pequenos negócios a estratégias de inovação e produtividade. Com esse foco, o Sebrae e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançaram nesta quarta-feira o Movimento Juntos pela Indústria, uma iniciativa que reúne diferentes instituições em torno de uma agenda comum para ampliar a competitividade do setor.
O anúncio foi feito durante o Congresso de Inovação da Indústria, realizado em São Paulo, e marca a formalização de um modelo de cooperação entre o Sebrae e o chamado Sistema Indústria, que inclui CNI, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

A proposta do movimento é estabelecer diretrizes comuns, compromissos institucionais e uma governança compartilhada para orientar ações conjuntas. O foco está na criação de mecanismos de cooperação capazes de aproximar micro e pequenas empresas das cadeias industriais mais estruturadas, especialmente em um contexto de transformação tecnológica e transição para modelos produtivos mais sustentáveis.
A vigência inicial do acordo é de dois anos, com possibilidade de prorrogação. Ao longo desse período, a expectativa é consolidar uma agenda coordenada que envolva desde qualificação profissional e difusão tecnológica até apoio à inovação e inserção de pequenos negócios em cadeias de maior valor agregado.
Para Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional, o movimento responde a uma demanda histórica do setor produtivo por maior integração entre políticas e instrumentos de apoio.
“A competitividade da indústria brasileira passa pela capacidade de incluir os pequenos negócios de forma estruturada. Quando a gente organiza governança, define prioridades e atua de forma coordenada, o impacto é muito maior”
Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional
Segundo ele, a iniciativa também busca reduzir sobreposições e aumentar a eficiência das ações já existentes. “Não se trata de criar novos programas isolados, a proposta é alinhar o que já existe, potencializar esforços e gerar escala. O pequeno negócio precisa estar no centro da estratégia industrial do país”, disse.
O Movimento Juntos pela Indústria surge em um momento em que diferentes atores públicos e privados tentam alinhar suas estratégias diante de mudanças globais que pressionam a indústria a se reinventar. A digitalização, a economia verde e a reorganização das cadeias produtivas têm ampliado a necessidade de cooperação entre instituições e empresas de diferentes portes.
A aposta dos organizadores é que, ao integrar competências e estabelecer uma agenda comum, seja possível acelerar a inserção dos pequenos negócios nesse novo cenário, ampliando sua participação em mercados mais sofisticados e fortalecendo a base industrial brasileira.

