Quatro equipes de estudantes e educadores de municípios do interior do Brasil – Itapissuma (PE), Porto do Mangue (RN) e Ji-Paraná (RO) -, além da capital paulista, estão em Barcelona, na Espanha, até 8 de março. Premiados pela 3ª Edição do Desafio Liga Jovem, alunos e educadores terão a oportunidade de vivenciar uma imersão de empreendedorismo, tecnologia de impacto e intercâmbio cultural ao longo de 8 dias. Realizada há quatro anos pelo Sebrae, a experiência internacional é uma das premiações do Prêmio Desafio Liga Jovem, a maior competição de empreendedorismo social nas escolas brasileiras.
No roteiro de Barcelona, destacam-se a visita orientada ao Mobile World Congress (MWC 2026), um dos maiores eventos de tecnologia da Europa, com ênfase na IA, XR, robótica, tecnologia aplicada, incluindo participação no 4YFN, um fórum envolvendo startups, pitches, protótipos e founders. Além disso, a programação traz um passeio pelo Distrito de Inovação Tech Walk 22@ (onde nascem as startups de Barcelona) e pelo centro de empreendedorismo Barcelona Activa.
“Em todos esses momentos, a ideia é apresentar esses ambientes e tecnologias, fomentar trocas de informações, conhecimentos e levar, aos estudantes, o entendimento do universo de startups e investidores”, explica Paulo Ventura, analista do Sebrae que acompanha o grupo.
Oportunidades para 2026
A 4ª Edição do Desafio Liga Jovem abre as inscrições a partir de hoje, 2 de março.
“Ao final do ciclo de um ano, abrimos o próximo ciclo. É uma maneira de celebrar o legado da competição e seu pleno avanço e impacto junto às comunidades diversas e áreas remotas do país”
Ana Rodrigues, gerente de Educação Empreendedora do Sebrae
Na edição de 2025, o Desafio registrou recorde de 62.276 estudantes inscritos, superando as 54.016 inscrições de 2024. O salto também apareceu no número de projetos entregues: foram mais de 5 mil projetos de inovação social submetidos, contra mais de 3 mil em 2024, contabilizando um crescimento de 60%.
Podem participar do DLJ4, alunos do 8º ano do Ensino Fundamental até o último ano do Ensino Médio e estudantes do Ensino Técnico. A iniciativa desafia os participantes a desenvolverem soluções criativas e de impacto social para problemas da escola ou da comunidade, tendo a tecnologia como aliada (analógica ou digital). As propostas vão desde aplicativos, jogos e plataformas digitais até produtos físicos inovadores e metodologias sustentáveis. As inscrições estão disponíveis no site.

Perfis dos premiados de 2025
A equipe da escola pública municipal João Bento de Paiva, de Itapissuma (PE), conquistou o primeiro lugar na categoria Ensino Fundamental. Orientados pela professora Maria Eduarda Santos da Silva, os alunos apresentaram um projeto que transforma cascas de ostras em bioplacas sustentáveis para substituir o gesso na construção civil, reduzindo impactos ambientais, promovendo economia circular e gerando uma nova fonte de renda para pescadores e marisqueiras.
Na categoria de Ensino Médio e Técnico, a vencedora foi a equipe da escola estadual Professora Josélia de Souza Silva, de Porto do Mangue (RN), que teve como orientador o professor Dalison Vitor de Souza. O trabalho premiado, Pesqueiro Sustentável, utiliza madeira de algaroba proveniente de manejo consciente para a captura da lagosta. A solução alia preservação ambiental, valorização social e geração de renda, promovendo uma alternativa ecológica, inovadora, acessível, eficiente e sustentável às comunidades pesqueiras.
Na categoria Ensino Superior, o primeiro lugar ficou com a equipe do Instituto de Tecnologia e Liderança, instituição privada de São Paulo (SP). Com orientação da professora Bruna Mayer Costa, os alunos apresentaram o projeto Sintoniza, que integra hardware e software para transformar música em vibrações e cores, permitindo que pessoas surdas e neurodivergentes sintam e aprendam ritmos.
A equipe Originários, que apresentou o projeto Conecta Raízes, do Instituto de Ensino ZAVIDIAJ XIKOV PI POHV, de Ji-Paraná, Rondônia, também conquistou a viagem internacional. O Sebrae viabilizou essa oportunidade por ter reconhecido a atitude empreendedora da equipe. Além da criação de um projeto de grande relevância, com a idealização de um app bilíngue para transmitir os saberes ancestrais dessa comunidade indígena, os integrantes do Conecta Raízes superaram diferentes tipos de desafios para participar da grande final. Orientados pelo professor Alberto Gavião, os estudantes precisaram lidar com a falta de acesso à internet, com a localização remota e com a barreira linguística, pela pouca fluência no idioma português.
“Sabemos do potencial dos jovens para criar soluções inovadoras e que realmente tenham o poder de transformar o ambiente onde vivem. Queremos que eles desenvolvam essas competências e assumam o protagonismo nas suas próprias vidas. Nosso objetivo maior é ajudar a melhorar essas realidades individuais e coletivas”, afirma Paulo Ventura, analista de Educação Empreendedora do Sebrae Nacional e gestor do Desafio Liga Jovem.
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