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Com café da Serra de Apucarana, Paraná conquista a segunda Indicação Geográfica neste mês

Apoiada pelo Sebrae, a cafeicultura nacional lidera o número de IGs, registro que atesta a qualidade e as características únicas da região produtora
Por Débora Cronemberger
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O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reconheceu, nesta terça-feira (27), o café da Serra de Apucarana com a mais nova Indicação Geográfica (IG) brasileira. Esse é o segundo registro conquistado pelo Paraná somente este mês. Há menos de uma semana, no dia 21, o INPI havia divulgado o registro para as tortas de Carambeí.

Com mais esse reconhecimento, o Brasil passa a contar com 152 IGs nacionais registradas. A cafeicultura nacional lidera os registros, somando agora 21 IGs. A IG chega como um presente de aniversário para Apucarana, que completa 82 anos nesta quarta (28).

O INPI reconheceu que existe relação direta entre o meio geográfico da Serra de Apucarana, que abrange os municípios de Apucarana, Arapongas e Cambira, e as características do café produzido na região. O café da Serra de Apucarana tem o sabor frutado – frutas amarelas e vermelhas -, com notas de melaço, além de uma acidez típica e equilibrada.

O Sebrae atua em diversas etapas para ajudar empreendedores no processo de reconhecimento das IGs, o que agrega valor para o produto e para a região produtora. Só na cafeicultura, o Sebrae atende cerca de 8,5 mil produtores em 44 territórios produtores, promovendo capacitação, apoio para a adoção de práticas sustentáveis e estruturação da governança.

“Os produtores serão protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento local, com base nos diferenciais da bebida. O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível”, afirma Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional.

Características do solo e do clima da Serra de Apucarana dão características únicas ao café só encontrada na região e no continente africano | Foto: Edson Denobi/Prefeitura de Apucarana

Café com características únicas

As IGs podem ser de duas espécies: a Denominação de Origem (DO), que foi o caso do café da Serra de Apucarana, e a Indicação de Procedência (IP). A DO requer a comprovação técnica e científica de que as condições geográficas do local, como solo, clima e topografia, garantem qualidades específicas a determinado produto ou serviço. Já a IP está ligada à reputação ou notoriedade de uma região como produtora de determinado produto.

Apucarana é o quinto maior produtor de café do Paraná, com uma área cultivada de 1.200 hectares e uma produção anual de 2.376 toneladas. O reconhecimento do selo “Café da Serra de Apucarana” beneficiará diretamente 250 produtores de café da cidade, além de 50 propriedades em Cambira e uma em Arapongas.

A conquista da Denominação de Origem (DO) Serra de Apucarana para o produto café ocorre após a demonstração de que as qualidades do café não podem ser reproduzidas em outro local, pois resultam da combinação específica de fatores naturais e humanos da região.

Entre os fatores naturais, destaca-se o relevo. A região possui altitudes superiores a 700 m, podendo chegar a até 2.000 m acima do nível do mar, condição favorável ao cultivo da espécie Coffea arabica. A altitude contribui para a maturação mais lenta dos grãos, o que melhora tanto a produtividade quanto a qualidade do café.

O clima também é determinante. Apucarana conta com chuvas bem distribuídas e baixa ocorrência de déficit hídrico. A temperatura média anual é de 20,6° C, dentro da faixa considerada ideal para o cultivo do cafeeiro, entre 19° C e 21° C.

A certificação considera ainda o saber-fazer dos produtores locais. O uso de técnicas modernas aliado ao conhecimento tradicional, especialmente nos processos de colheita e na torra exclusivamente média, contribui para preservar e realçar as características do café da região.

Esta é a 24ª IG conquistada pelo Paraná e a terceira DO estadual, ao lado do mel de Ortigueira e do café de Mandaguari. As demais IGs do Paraná foram conquistadas na modalidade de IP.

Carne de onça tem primeiros registros históricos na década de 1940 | Foto: Gean Cavalheiro.

Indicações Geográficas do Paraná

  1. Ostras do Cabaraquara
  2. Ponkan de Cerro Azul
  3. Broas de centeio de Curitiba
  4. Cracóvia de Prudentópolis
  5. Carne de onça de Curitiba
  6. Café de Mandaguari
  7. Urucum de Paranacity
  8. Queijo colonial do Sudoeste do Paraná
  9. Cafés especiais do Norte Pioneiro
  10. Morango do Norte Pioneiro
  11. Goiaba de Carlópolis
  12. Mel de Ortigueira
  13. Queijos coloniais de Witmarsum
  14. Cachaça e aguardente de Morretes
  15. Melado de Capanema
  16. Vinhos de Bituruna
  17. Mel do Oeste do Paraná
  18. Barreado do Litoral do Paraná
  19. Bala de banana de Antonina
  20. Erva-mate São Matheus
  21. Camomila de Mandirituba
  22. Uvas finas de Marialva
  23. Tortas de Carambeí
  24. Café da Serra de Apucarana

Além delas, há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.

O Paraná conta com oito produtos depositados e em análise no INPI: acerola de Pérola, mel de Prudentópolis, caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu, ginseng de Querência do Norte, pão no bafo de Palmeira, cervejas artesanais de Guarapuava, mel de Capanema e couro de peixe de Pontal do Paraná.

*Com informações do INPI

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