A participação no programa Brasil Mais Produtivo, em parceria com o Sebrae, marcou um divisor de águas na trajetória da Recom – Etiquetas e Embalagens, de Atibaia (SP). A iniciativa trouxe ganhos de eficiência e faturamento, ao mesmo tempo em que provocou uma mudança profunda na mentalidade da gestão do negócio.
“Durante uma feira em Atibaia, uma amiga comentou que estava fazendo um trabalho com o Sebrae e o Senai, que a gente deveria entrar em contato, e um conhecido dela nos falou sobre o programa Brasil Mais Produtivo”, conta Daniel Gomes Constantino, sócio administrador da empresa.
A adesão foi imediata. A empresa passou a participar do Brasil Mais Produtivo, do programa ALI (Agente Local de Inovação), além de iniciativas como o Empretec, programas de exportação e a participação na diretoria da CPL (Cadeia Produtiva Local) de autopeças.
Os resultados práticos vieram rapidamente. A Recom alcançou 35% de redução de custos no tempo de setup da produção e 17% de crescimento no faturamento, este último impulsionado principalmente pelo programa ALI. “O Sebrae abriu uma amplitude de possibilidades muito grande para nós. Mais do que os resultados, mudou completamente a forma como a gente passa a olhar a empresa”, afirma Daniel.

Uma trajetória construída pela adaptação
Fundada em 1984, a Recom iniciou suas atividades como fabricante de fitas para impressoras matriciais, em um contexto em que a importação desses insumos era limitada no Brasil. Desde o início, a empresa investiu no desenvolvimento interno de materiais, como tintas, além de componentes como cartuchos e ferramentas.
Essa expertise técnica foi fundamental para os primeiros passos da empresa. A gente desenvolvia os próprios materiais e componentes, o que permitiu atender uma demanda existente no mercado. Depois disso, a fabricação foi um caminho natural.
Daniel Gomes Constantino, empreendedor
Porém, o avanço das impressoras a jato de tinta, laser, toner e papel térmico representou um ponto de inflexão para o mercado de impressoras matriciais. Atenta às transformações tecnológicas, a Recom optou por se reinventar mais uma vez.
Verticalização e foco em etiquetas autoadesivas
A virada estratégica veio a partir de um problema com um fornecedor de etiquetas. Como a empresa já comercializava ribbons (rolos de fita de tinta) com etiquetas para impressão de dados variáveis, decidiu verticalizar a produção. Após uma análise detalhada de custos de matéria-prima e processos produtivos, investiram em máquinas e iniciaram a fabricação própria de etiquetas.
Com o crescimento da produção, a Recom passou a reduzir gradualmente operações menos rentáveis, concentrando-se integralmente no mercado de etiquetas autoadesivas, segmento no qual atua há mais de 15 anos. Atualmente, a empresa é reconhecida pela oferta de produtos diferenciados e de alto valor agregado, como etiquetas que não deixam resíduos de cola em vidro, tags biodegradáveis que se dissolvem em água e muitos outros produtos.
Investimento em processos e qualidade
O próximo objetivo da Recom é estruturar ainda mais seus processos internos, com foco na ISO 9001. A intenção é preparar a empresa para uma certificação futura, criando desde já uma cultura alinhada às normas de qualidade amplamente aceitas pelo mercado.
“Não faz sentido criar uma norma interna que depois precise ser toda mudada. É melhor se adaptar desde cedo ao que já é realidade no mercado”, afirma Daniel. Para ele, a parceria contínua com o Sebrae e o Senai é estratégica para esse avanço.

Transformação digital e produtividade em alta
O Brasil Mais Produtivo ajuda micro, pequenas e médias empresas a modernizarem seus processos, com foco na transformação digital e no uso de tecnologias nacionais inovadoras. Nesses dois anos, o programa – que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com Sebrae, Senai, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES – alcançou 67,5 mil empresas. Desse total, 30,5 mil foram do setor industrial e 37 mil de comércio e serviços. Foram mais de 90 mil atendimentos realizados, uma vez que as empresas podem participar de mais de uma modalidade do programa.
Segundo dados do Senai e do Sebrae, as empresas em manufatura enxuta (sistema de gestão industrial que visa a aumentar a eficiência e a produtividade por meio da redução de erros, redundâncias e desperdícios na produção) registraram aumento médio de 28% na produtividade após o trabalho de consultoria.

