Ao unir preservação, desenvolvimento sustentável e conscientização ambiental, o ecoturismo, também conhecido como turismo ecológico, atrai cada vez mais a atenção de viajantes nacionais e internacionais. Em alta no país, o segmento é celebrado no dia 1º de março, Dia Nacional do Turismo Ecológico.
Dentro do Ecoturismo, o modelo de gestão turística com base comunitária tem impulsionado o desenvolvimento de pequenos negócios em territórios tradicionais ocupados por indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outros povos originários, tendo em vista que muitas comunidades vivem em áreas naturais conservadas ou no entorno de Unidades de Conservação.
Considerado um dos maiores empreendimentos quilombolas do turismo no Brasil, a Associação Kalunga Comunitária Engenho II (AKCE) se tornou referência em ecoturismo de base comunitária. Além de atrativos naturais famosos, como a Cachoeira Santa Bárbara, o território Kalunga tem atraído cada vez mais turistas interessados em vivenciar experiências turísticas autênticas na localidade.
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Preocupados com o turismo desenfreado, os Kalungas assumiram a gestão turística do território com o propósito de garantir preservação dos recursos naturais e investir em benefícios coletivos para a comunidade. Localizado na região da Chapada dos Veadeiros, o Quilombo Kalunga foi reconhecido pela ONU, em 2021, como o primeiro Território e Área Conservada por Comunidades Indígenas e Locais (Ticca) do Brasil.
Nos últimos anos, por meio da atuação dos Agentes de Roteiros Turísticos do Sebrae, a AKCE tem recebido consultorias para desenvolver e diversificar produtos turísticos adequados ao perfil da comunidade, inclusive apoio ao empreendedorismo local.
Atualmente, a rede comunitária de turismo da Comunidade Engenho II inclui três atrativos naturais/cachoeiras, quatro empreendimentos de hospedagem, sete restaurantes e lanchonetes, além de 19 transportadores turísticos e uma loja comunitária de artesanato e produtos locais. A gestora do turismo do Sebrae Goiás, Priscila Vilarinho, destaca o protagonismo das mulheres como empreendedoras e lideranças na comunidade.
100% dos restaurantes e 75% dos meios de hospedagem são comandados por elas e 42% dos condutores de viajantes são mulheres.
Priscila Vilarinho, gestora do turismo do Sebrae Goiás.
Ao todo existem 403 condutores de visitantes que desempenham a função de intepretação dos recursos naturais, que para eles têm poder de cura, como também da cultura e história Kalunga. Entre as novas atividades turísticas criadas, com apoio do Sebrae.
“É possível ver como o turismo pode ser um grande aliado na preservação ambiental. Outro exemplo no Brasil é Bonito, em Mato Grosso do Sul, que desenvolveu uma nova economia a partir da expansão do ecoturismo”, frisou.
Priscila conta que, com apoio do Sebrae, a comunidade do Engenho II incorporou em seus programas de visitação uma experiência de turismo por meio da Roda de Conversa com os anciões que compartilham a história, cultura, processo de organização e luta comunitária do quilombo Kalunga.
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Segundo ela, pelo menos 10 agências de turismo que operam na comunidade e muitas operadoras de turismo da região têm parceria com operadoras nacionais. Para saber mais, acesse o estudo de caso produzido pelo Sebrae em parceria com as associações Quilombo Kalunga (AQK) sobre o turismo de base comunitária na Comunidade do Engenho II.
Entre 2020 e 2023, a comunidade teve um retorno de quase 12 milhões, a partir de ações voltadas para o turismo. Maioria dos recursos são investidos em melhorias para o desenvolvimento do território e na melhoria das experiências dos visitantes. Em agosto do ano passado, o Quilombo integrou o roteiro do famtour que contou com operadores do Chile e da Colômbia e que contemplou Brasília e a Chapada dos Veadeiros.
Polo Sebrae de Ecoturismo
Criado como um hub de conhecimento e portifólio de soluções, o Polo Sebrae de Ecoturismo está localizado em Bonito (MS), referência mundial no segmento. Por meio do portal on-line, o Polo disponibiliza conteúdo especializado, além trilhas de conhecimento estruturadas para atender empresários e profissionais, instituições e gestores públicos, incluindo toda a cadeia produtiva.
De acordo com o analista técnico do Sebrae Mato Grosso do Sul, Telcio Barbosa, o Polo Sebrae de Ecoturismo atua um multiplicador de organização do turismo nos territórios. “Nós recebemos muitas pessoas interessadas em conhecer a organização turística de Bonito que é bem diferente. O uso dos atrativos, em sua maioria em áreas privadas, possui estudo de capacidade de carga e controle e monitoramento da atividade turística”, explica.