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Produtores de Carlópolis, no Paraná, exportam goiabas para Portugal

O acordo foi fechado após encontro internacional, ocorrido em julho, que trouxe compradores para a cidade

Produtores da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC) comemoram a efetivação da primeira venda de goiabas para a Europa. Os primeiros pallets, com 560 quilos do fruto, sairão na próxima semana de Carlópolis, localizada no norte pioneiro do Paraná, com destino a Portugal. A venda é resultado do 1º Encontro Internacional para Exportação de Hortifruti do Norte Pioneiro do Paraná, ocorrido no dia 31 de julho, que reuniu produtores e compradores na cidade.

Carlópolis produz goiaba durante todos os meses do ano, graças ao sistema de poda total. O município é o maior produtor da fruta no Paraná e um dos maiores do Brasil. Segundo a Emater, cerca de 390 hectares são usados para o cultivo na área limitada pela indicação de procedência e o potencial de produção é de 23 mil toneladas por ano em condições de clima normais.

João Victor Bovo, responsável pelas exportações da FG frutas, empresa que levará os frutos para Portugal, explica que foi atraído a Carlópolis pela fama do município e pelo selo Global G.A.P, obtido pela cooperativa de produtores no início do ano. “Na cidade pude comprovar a qualidade das produções, das frutas e o cooperativismo existente, outro detalhe que me chamou atenção foi o dinamismo e comprometimento dos produtores”, diz.

O comprador também explicou que esta primeira venda servirá como uma amostra para que empresários de Portugal conheçam os frutos. “A expectativa é que possamos estabelecer um contrato permanente com a COAC e depois expandir a quantidade da carga e de compradores”, complementa.

Amostras dos frutos também foram enviados para o Canadá por meio de uma exportadora de Salvador (BA), que também esteve no Encontro Internacional. As prospecções realizadas durante o evento são resultado de um projeto maior, idealizado pelo Sebrae/PR e realizado pelos produtores, outras entidades e a Prefeitura Municipal de Carlópolis.

Em quase quatro anos de atividades, o grupo de produtores foi estimulado a trabalhar por meio do associativismo, em estilo de associação e mais tarde como cooperativa. Foram estudados e implantados padrões de qualidade que deram início à busca por certificações. A primeira delas foi o registro de indicação geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) em 2016. Depois, em fevereiro deste ano, o grupo conquistou o selo Global G.A.P, uma certificação internacional que abre as portas do mercado exterior para a exportação da fruta.
O consultor do Sebrae?PR, Odemir Capello, recorda que em todos estes anos, identificou no grupo de produtores o anseio e o comprometimento em elevar os patamares de qualidade com foco na comercialização da fruta para o mercado nacional e internacional. “Encontramos em Carlópolis condições climáticas favoráveis associadas a um grupo de produtores interessados em melhorar seu trabalho e crescer. O envio destas primeiras cargas para outros países é a conclusão de que estamos trabalhando no caminho certo, de que as ações promovidas pelas entidades e produtores foram assertivas”, conclui.

Comemoração

A produtora rural Inês Sato Sasaki trabalha no campo há mais de 20 anos. Ela conta que em 2016, ano em que o Sebrae/PR apresentou o projeto para a profissionalização do cultivo e a busca pela IG, ela ainda não plantava goiabas.

“Acreditei naquela proposta porque tinha confiança de que produtos certificados e que o trabalho cooperado são mais eficientes e têm mais chances de conquistar novos mercados. Plantei meus primeiros pés e abracei a iniciativa. Estou muito feliz com a exportação, é a realização de um sonho, uma alegria imensa. Sou grata ao Sebrae/PR, à Prefeitura e a todas as entidades que nos ajudaram”, frisa Inês.

Noriak Akanatsu, produtor e presidente da COAC, também comemora a venda para a Europa e destaca que o negócio foi fechado graças a presença do comprador in loco, nas propriedades, o que permitiu a comprovação do compromisso com a qualidade na produção.

“Estamos em ritmo de comemoração. Entendemos que esta oportunidade de exportação poderá reduzir o excesso de goiaba no mercado interno, que atualmente sofre com a alta produção e preço abaixo do custo. Juntos podemos competir melhor e trabalhar para que todos possam crescer ainda mais”, afirma o presidente da COAC.

 

 


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